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Brasil/Imprensa

Impeachment de Dilma Rousseff ganhou ares de golpe, diz Libération

Jucá durante o anúncio da retirada do apoio da bancada do PMDB à presidente Dilma Rousseff, em março deste ano.
Jucá durante o anúncio da retirada do apoio da bancada do PMDB à presidente Dilma Rousseff, em março deste ano. REUTERS/Gregg Newton

As revelações das conversas gravadas do senador e ex-ministro do Planejamento Romero Jucá levaram o jornal francês a publicar nesta quarta-feira (25) uma análise da crise política com a seguinte manchete: "Brasil: impeachment com ares de golpe".

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Em um país em recessão, a revolta popular foi instrumentalizada por políticos corrompidos para depor a presidente Dilma Rousseff, escreve a correspondente Chantal Reyes. "Sabemos agora que as motivações para destituí-la não tinham nada de nobre", escreve, antes de resumir as conversas reveladas pela Folha de São Paulo nas quais Romero Jucá defende uma "mudança de governo para parar tudo", ou seja, frear as investigações do gigantesco escândalo de desvio de recursos da Petrobras.

A conversa entre Jucá e Sérgio Machado, ex-diretor da Petrobras, traz para dentro do escândalo o PSDB, partido de oposição, de centro-direita. Mas o que é pior, segundo o Libération, é que o Supremo Tribunal Federal, de acordo com a conversa registrada, pensava que destituir a chefe de Estado reduziria a pressão popular sobre a Lava Jato.

Para a publicação, "a legitimidade do governo interino está mais comprometida do que nunca" e a única "caução" deste governo é o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, respeitado pelos mercados.

Mas o PT também não está a salvo, lembra o texto, ao relatar as pressões do partido para que Dilma freasse a investigação que ela faz questão de ressaltar jamais ter interferido.

Libération elabora uma lista de perguntas que ainda precisam ser esclarecidas depois dessas "revelações explosivas": Há quanto tempo o procurador-geral da República tinha essas gravações nas mãos? Por que as conversas, gravadas em março, ou seja, antes do voto no Congresso que determinou a abertura do processo de impeachment, não foram divulgadas antes?

O que esse "presente da Folha de São Paulo para a esquerda" deixa evidente é a deterioração de toda a classe política, diz o texto. Em tom crítico, Libération comenta a pouca disposição do PT, que durante 13 anos no poder não fez a reforma do sistema eleitoral que é um "convite à corrupção".

"Dificilmente a presidente vai recuperar seu cargo, mas também é pouco provável que haverá eleições gerais antecipadas no país" finaliza o texto.

Programa econômico de Temer

As primeiras medidas econômicas anunciadas pelo presidente interino Michel Temer ganharam destaque no jornal francês Les Echos. "Temer quer impor uma disciplina orçamentária no Brasil", diz a manchete da reportagem.

Um dia após a saída de Romero Jucá do ministério do Planejamento, e apesar do clima de escândalo político que paira sobre Brasília, o governo lançou as bases de sua política econômica para restaurar a confiança e retomar o caminho do crescimento após dois anos de recessão, escreve o correspondente do jornal Thierry Ogier.

A principal orientação é a disciplina orçamentária, com limitação do déficit público e menos poder para o BNDES, fonte nos últimos anos de créditos subsidiados, o que agravou o endividamento público.

Les Echos informa que o presidente interino Michel Temer irá propor uma emenda constitucional para limitar o crescimento das despesas públicas ao da inflação. As reservas serão liquidadas para reduzir o déficit. Outro ponto sensível do plano, segundo Les Echos, é a maior abertura do setor petrolífero aos investimentos privados, o que significa um freio à onipresença da Petrobras.

O jornal francês repercute o pouco entusiasmo dos mercados com o anúncio das propostas econômicas, especialmente a reação da Bolsa de São Paulo. Os investidores ainda reagiram sob o impacto da demissão no dia anterior de Romero Jucá.

O ex-ministro era uma peça central para cimentar uma base de apoio no Congresso, que ele conhece como a palma de sua mão. É a credibilidade e a adoção da política econômica em um contexto político delicado que estão em jogo, diz Les Echos.

 

 

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