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Brasil/crise

OCDE: crise política trava melhora da economia do Brasil

A organização traça um cenário sombrio para a crise brasileira
A organização traça um cenário sombrio para a crise brasileira Paulo Pinto/ Fotos Públicas

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) traça um cenário sombrio para o futuro da economia brasileira, afetada pela crise política. No relatório sobre as perspectivas econômicas para 2017, publicado nesta quarta-feira, em Paris, a organização afirma que as “profundas divisões políticas reduziram as chances de qualquer melhora notável nas reformas a curto prazo”, enquanto a dívida pública “continua a subir”.

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A OCDE avalia que a “profunda recessão” vai continuar, com redução do PIB de 4,3% em 2016 e 1,7% em 2017, em meio às altas incertezas políticas e os desdobramentos das investigações de corrupção no país. Neste contexto, a demanda não deve crescer, e somente as exportações tendem a permanecer “vigorosas”, sob o efeito de um câmbio mais competitivo.

Com a economia em colapso, o desemprego deve continuar a subir, mas a inflação deve voltar para o centro da meta, puxada pela queda do consumo. A entidade, que reagrupa as 34 economias mais desenvolvidas do mundo, ressalta que a melhora da confiança no Brasil vai depender da habilidade das autoridades em implementar um ajuste fiscal, incluindo medidas para garantir a “viabilidade das aposentadorias” e uma “nova onda de reformas estruturais”. Além das reformas, para melhorar a produtividade, a organização sugere que o Brasil aposte na redução das barreiras comerciais, da burocracia e dos impostos indiretos.

Futuro vai depender da redução da tensão política

O relatório nota que um governo de transição entrou em vigor, mas a instabilidade política vai “provavelmente” continuar. A OCDE observa que, se as incertezas sobre as políticas públicas a serem adotadas para enfrentar a crise se mostrarem menores do que o previsto e as reformas necessárias forem implementadas, a confiança na economia brasileira pode melhorar “rapidamente”.

Neste caso, o crescimento econômico em 2017 “pode até ser positivo”. Mas se o cenário político permanecer conflituoso, os problemas podem avançar em 2018, destaca o documento.

José Serra representa o Brasil

A OCDE realiza hoje e amanhã a sua reunião ministerial anual. O ministro das Relações Exteriores, José Serra, representa o Brasil no evento. Ele vai participar de um painel sobre desenvolvimento inclusivo e sustentável. Segundo a assessoria do chanceler, ele fará um pronunciamento na reunião ministerial da Organização Mundial do Comercio (OMC), que ocorre durante o evento da OCDE.

Grupo protesta contra Serra em Paris

Do lado de fora da sede da organização, um grupo de pelo menos 15 brasileiros fez um protesto contra a vinda de José Serra. Os cartazes acusavam o chanceler de “golpista”. A manifestação foi organizada pelo MD18, um movimento contrário ao impeachment que, desde março, promove manifestações em Paris. A associação reúne brasileiros e franceses que se opõem à destituição da presidente Dilma Rousseff do poder.

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