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Brasil/ saúde

Celso Amorim vai assumir agência da ONU de remédios para países pobres

Celso Amorim, ex-ministro dos governos Lula e Dilma, durante coletiva de imprensa em Paris, nesta terça-feira (21).
Celso Amorim, ex-ministro dos governos Lula e Dilma, durante coletiva de imprensa em Paris, nesta terça-feira (21). RFI

O ex-chanceler brasileiro Celso Amorim deve assumir nesta semana a presidência do conselho de administração da Unitaid, agência ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS) e especializada na compra de medicamentos a preços mais baixos, destinados aos países pobres. A iniciativa, movida pelos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Jacques Chirac, completa 10 anos em 2016.

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Amorim deve substituir o francês Philippe Douste-Blazy, em nomeação que deve ocorrer durante a reunião do conselho, em Paris. O brasileiro é o único candidato ao cargo e havia sido indicado pela presidente afastada, Dilma Rousseff, para ocupar o posto.

A Unitaid age no diagnóstico e tratamento de três doenças: aids, malária e tuberculose. A agência atua junto à indústria farmacêutica, laboratórios e centros de pesquisa para agilizar a liberação de versões genéricas dos medicamentos mais modernos contra essas doenças, para uso em países pobres e, principalmente, africanos. Apenas a Nigéria e o Congo, por exemplo, concentram 40% dos casos de malária registrados em todo o mundo.

Amorim deseja que diferenças com Serra não atrapalhem parceria

Uma vez empossado, Amorim deseja que as diferenças que tem com o governo interino brasileiro e em especial com a política externa adotada pelo atual ministro das Relações Exteriores, José Serra, não interfiram na parceria entre a Unitaid e o Brasil. Em entrevistas recentes, Amorim criticou o processo de impeachment e a virada promovida por Serra à frente do Itamaraty, privilegiando a relação com os países desenvolvidos e indicando um afastamento dos africanos e dos vizinhos da América Latina.

“É um cargo internacional. Evidentemente, eu vou ter, espero ter uma relação profissional com o Brasil”, disse Amorim, em Paris, antes de lembrar que esteve na origem da criação da Unitaid, ao lado de Douste-Blazy, ex-chanceler francês do governo Chirac. “Eu pretendo ter uma relação profissional, em que não entra política, porque o Brasil é um país importantíssimo, tanto por ser um país que tem soluções para várias das questões, e porque também tem problemas, como estamos vendo com a questão do zika. Não vim aqui fazer política partidária.”

Amorim disse esperar que as suas opiniões sejam respeitadas e que “não há razão para que não haja uma colaboração”. “E digo até que, nesse aspecto específico, o atual chanceler tem experiência, porque foi ministro da Saúde”, ressaltou.

Financiamentos inovadores

Além da França e o Brasil, a organização foi criada pela Noruega, o Reino Unido e o Chile, contribuintes permanentes do órgão. A França responde por cerca de 60% do financiamento das ações da Unitaid, graças a investimentos do governo e à adoção de uma lei que instituiu uma contribuição obrigatória de € 1 para a agência a cada passagem de avião vendida no país.

Em 10 anos, a iniciativa de financiamento inovador coletou € 350 milhões na França, de um total de quase € 2 bilhões arrecadados nos dez países que aplicam a taxa. Na América Latina, o único a implantar a regra foi o Chile. O Brasil colabora sob a forma de uma contribuição fixa de US$ 5 milhões por ano, um dos valores mais elevados entre os países em desenvolvimento, explicou Amorim.

Desafio: ampliar contribuições

Um dos desafios do brasileiro no comando da organização será ampliar a rede de doadores. “Queremos aumentar o papel da Unitaid, mas vai depender da contribuição dos países”, comentou Amorim, durante uma coletiva de imprensa.

“Os países ocidentais enfrentam crises desde 2007 e dão cada vez menos contribuições. Por isso, é tão importante a criação de novos métodos de financiamento inovadores”, destacou Douste-Blazy. Um ideia que pena a sair do papel e que causaria uma revolução seria uma taxa mundial sobre as transações financeiras, para o financiamento de ações humanitárias como a desenvolvida pela Unitaid, observou o francês.

Se for confirmado no cargo, Celso Amorim cumprirá um mandato de dois anos, renováveis. A sede da entidade fica em Genebra (Suíça), mas ele poderá exercer a função do Brasil. O ex-chanceler será o terceiro brasileiro a exercer cargos de chefia na ONU, depois de José Graziano, na FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), e Roberto Azevêdo, na OMC (Organização Mundial do Comércio.
 

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