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Cinema

História do Rio é contada por cineasta francês em meio a mudanças olímpicas

O cineasta francês Pascal Cuissot.
O cineasta francês Pascal Cuissot. Divulgação

O documentário Rio, Cidade Maravilhosa?, dirigido pelo cineasta francês Pascal Cuissot, será lançado no Brasil nesta quinta-feira (14). O filme conta a história da cidade do Rio de Janeiro desde o início da colonização francesa e portuguesa até os dias de hoje. Mostra as mudanças físicas sofridas no espaço urbano e a criação da cidade olímpica. A narrativa é toda contada por vozes de especialistas cariocas que mostram como se criou um município reconhecido internacionalmente por Cidade Maravilhosa. Mas será mesmo?

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Sarah Bazin, colaboração para a RFI Brasil

Pascal Cuissot acredita que o Rio, desde que deixou de ser a capital do Brasil, busca se construir como uma grande plataforma internacional. “Isso faz com que o Rio de Janeiro continue a ter uma aura de capital ou ao menos de porta de entrada do Brasil e de ‘cidade vitrine’ do país”. Esse cartão postal já foi pintado por outros artistas, mas Cuissot consegue captar o olhar do próprio carioca e mostrar facetas escondidas da cidade.

O filme segue um roteiro histórico que muitos cariocas desconhecem. Traz à luz locais que os próprios nativos às vezes nunca ouviram falar, como as carvoarias da floresta de Pedra Branca, no oeste da cidade, que foram peças centrais para a construção do Rio moderno, sendo a chave energética para a concretização de projetos como o Theatro Municipal.

Para se fazer uma simples janela desse monumento era necessário o trabalho de uma semana de cinco carvoeiros. Esses, segundo o filme, até hoje são invisíveis para a sociedade carioca. Os únicos vestígios estão no meio da floresta, que cobriu os rastros dessa população negra, suja de carvão, que a nata da sociedade queria manter afastada dos olhos da burguesia.

Em outro lado da cidade, dessa vez no Centro, existe o cemitério dos Pretos Novos, onde foram enterrados em valas comuns, escravos recém chegados da África. O Memorial dos Pretos Novos, localizado na Gamboa, e as pesquisas feitas pelo Instituto de Arqueologia Brasileira sobre a origem das ossadas encontradas, mostram um outro lado da história do Rio de Janeiro que as autoridades, para o diretor, preferem deixar longe do roteiro turístico.

Mudanças para as Olimpíadas, uma visão inédita

Apesar do filme abordar pouco a questão da Olimpíada, Cuissot conversou com a RFI sobre como vê as mudanças na cidade em meio as preparações para o grande evento. Ele não acredita que as obras para os jogos olímpicos são tão drásticas e trazem tantas mudanças para a cidade como o que aconteceu no início do século 20, com Pereira Passos.

Ele viu sim uma mudança na questão dos transportes públicos e na integração da cidade. “O mais ambicioso foi essa tentativa de interligar de formas diferentes a Zona oeste com as outras áreas da cidade, como o Metrô e o BRT”. Quando começou a fazer o filme, ele achava que a parte do município que mais mudaria e receberia investimentos seria a Barra da Tijuca. Porém, em conversa com o arquiteto e urbanista Washington Fajardo, percebeu que, na verdade, o que aconteceu foi uma grande reforma do Centro Histórico do Rio, com o projeto do Porto Maravilha.

“Com Pereira Passos, foi destruído uma parte da história da cidade para se construir algo novo. Com os Jogos Olímpicos está se fazendo o contrário. Está se renovando, transformando e melhorando o Centro, essa é uma visão inédita”, disse Cuissot.

O ideal Olímpico no Rio de janeiro

Pascal Cuissot fez, em 2004, um filme sobre a história das olimpíadas chamado Os Campeões do Olímpio (em tradução livre), e acredita que a cidade, apesar dos problemas latentes, seja estrutural ou de violência, vai conseguir ultrapassar os desafios e fazer uma grande festa do esporte.

“Existe no ideal olímpico a ideia de que deve se ter uma ‘trégua’. Na antiguidade tinha-se um princípio diplomático em que as cidades da Grécia Antiga não guerreavam entre si durante o período dos jogos. Podemos dizer que, por um lado, existe um ponto positivo – o da trégua – e de outro, quando os jogos terminam, se dá o fim dessa trégua e os problemas ressurgem”, diz Cuissot. “Porém, ao mesmo tempo, em um ideal mais moderno dos jogos, as pessoas tendem a se reunir, e eu penso que o Rio é uma cidade perfeita para isso”, completa.

“Tendo feito esse filme e passado um bom tempo no Rio, eu acho que o sentimento mais elementar que os turistas têm da cidade é muito positivo”, finaliza Cuissot.

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