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Brasil-América Latina

Como os argentinos se preparam para dominar a torcida durante os Jogos Olímpicos

Áudio 04:12
Mais de 100 mil argentinos foram ao Rio de Janeiro para assistir a final da Copa do Mundo.
Mais de 100 mil argentinos foram ao Rio de Janeiro para assistir a final da Copa do Mundo. Elcio Ramalho

Dia 8 de agosto, 9 da manhã, Posto 4, Praia de Copacabana, Rio de Janeiro. Dezenas, centenas de argentinos aproximam-se. De grupos isolados a uma multidão uniforme. Os primeiros Jogos Olímpicos na América do Sul começaram há três dias. Milhares de argentinos repetem nas areias de Copacabana a mesma festa que os fez famosos na Copa do Mundo há dois anos: bandeiras, cantigas e muita torcida.

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Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

Essa é a descrição do que será primeira cena organizada pela torcida argentina e que vai marcar uma maciça presença dentro de três semanas no Rio. Dos 500 mil estrangeiros previstos pela Embratur no Brasil durante os Jogos, a maioria será de argentinos. A RFI Brasil conversou com alguns deles.

A proximidade com o Brasil é fundamental, claro. Mas a onda argentina que se ergue cada vez maior está marcada por uma forte queda nos preços. O argentino Flavio Grieco, de 20 anos, explica que já tinha decidido viver a experiência de ir aos Jogos no Rio, mas viu na queda dos preços a chance de, com o mesmo orçamento, ir a mais eventos.

"Cada vez mais perto de agosto, noto que os preços estão mais baixos e que os argentinos estão aproveitando. Caíram muito e agora é muito mais acessível, pelo menos para quem mora na Argentina", observa.

O Comitê Olímpico abriu as vendas de entradas no site oficial aos estrangeiros e as companhias aéreas aumentaram a frequência de voos. Até então os pacotes eram vendidos apenas por uma agência de turismo autorizada na Argentina, cujos preços são até vezes mais altos.

Com isso, o argentino Dulio Moreno, de 32 anos, vai assistir à abertura dos Jogos no dia 5, gastando menos da metade do que gastaria meses atrás. "Isso vai incentivar muitos argentinos a viajar porque as entradas para as competições são realmente muito baratas. Há muitos argentinos que vão por 15 ou 20 dias e que têm entradas para tudo. Acredito que haverá uma presença argentina bastante forte", prevê.

Através de um amigo em comum, Dulio recebeu auxílio de compra da entrada para a abertura dos Jogos de um brasileiro, Rafael Castilho, de 37 anos, quem, de São Paulo, manteve diversos contatos pelas redes sociais e pelo telefone.

"Eu me sinto muito bem em poder ajudar alguém que poderá desfrutar deste momento histórico. Apesar de não conhecer pessoalmente os argentinos que auxiliei, já os considero amigos", conta Rafael, quem vai se encontrar com todos no Rio.

Sonho maior do que o medo

A decisão de compra não é tão fácil quando se observa a lista de problemas que assustam os estrangeiros: crise econômica e crise política, queda de ciclovia com dois mortos, poluição da Baía de Guanabara, aumento da violência urbana e até zika. Mas para Flavio Grieco, o Rio de Janeiro é também sinônimo de alegria.

"Sei que não serão os Jogos mais luxuosos devido a toda a situação que o Brasil e que o Rio estão vivendo e que não é a melhor do ponto de vista político e econômico, mas não deixa de ser Jogos Olímpicos com tudo o evento mobiliza: cores, alegria e o esporte em si mesmo. Haverá uma confraternização dos povos com gente dançando e cantando, um pouco do que o Rio representa também", pondera.

Dulio Moreno sabe que a cerimônia de abertura no Rio de Janeiro não será comparável às últimas edições como Pequim e Londres, mas também sabe que as críticas tornam-se elogios assim que o evento começa.

"Será uma cerimônia 'austera', mas tenho fé e vou com a expectativa de que o Rio estará preparado. De Atenas, diziam-se muitas barbaridades e acabou sendo fantástico. Os Jogos de Atenas foram impressionantes. E com o Rio vai ser a mesma coisa. Pode ser que haja muita gente especulando, mas, no final, acho que tudo será fabuloso", confia.

A maior inquietação para os argentinos é mesmo o aumento da violência. Baseado nos grandes eventos anteriores que o Rio sediou como a Rio 92 ou a Copa do Mundo, Dulio Moreno prefere apostar numa cidade com segurança reforçada sem episódios de violência durante o período.

"É verdade que me inquieta, mas algumas informações que me estão chegando, geram-me um nível de tranquilidade como saber que haverá mais de 85 mil agentes de segurança especificamente para essa ação", confia.

Já Flavio Grieco vai viajar sozinho, para o desespero da família. "Quando você faz uma viagem não pode viajar com medo, mas eu vou com precaução. Aqui, quando eu conto aos meus amigos e aos meus parentes que vou viajar sozinho aos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, todos me dizem: "Não! Como você vai viajar sozinho?! Você está louco?!", revela.

"Apesar de não ser nativo do Rio, posso ajudar um turista estrangeiro tranquilamente na cidade. Além das dicas de turismo, posso auxiliar nas dicas de segurança e principalmente no idioma", conta o paulista Rafael Castilho.

Amigos, amigos; medalhas à parte

Buenos Aires avalia candidatar-se pela sexta vez a sediar os Jogos Olímpicos de 2028. Se for a escolhida, os argentinos poderão retribuir o favor e auxiliar Rafael Castilho a presenciar essa eventual segunda edição na América do Sul.

"Os Jogos de 2016 abriram a porta para uma amizade e um contato que perpetuará. Não só referente a atividades esportivas. Um dia que retornar a Buenos Aires terei novos amigos para encontrar", projeta.

Além da torcida, a Argentina vai com a maior a delegação de atletas do país em Jogos Olímpicos nos últimos 68 anos. Serão 212 atletas, apenas um a menos do que o recorde de 1948.

Mas o espírito olímpico entre brasileiros e argentinos termina perante a disputa no quadro de medalhas.

"Fica somente na arquibancada. Torcer para a Argentina já é muito difícil de acontecer. Eu diria impossível", brinca Rafael Castilho.

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