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Imprensa

Rio de Janeiro vive "crise de identidade", diz jornal francês

O Rio é uma cidade exuberante, cheio de belezas naturais, mas também um dos lugares mais perigosos do mundo, escreve Aujourd'hui en France desta quarta-feira (3).
O Rio é uma cidade exuberante, cheio de belezas naturais, mas também um dos lugares mais perigosos do mundo, escreve Aujourd'hui en France desta quarta-feira (3). REUTERS/Wolfgang Rattay

Os jornais franceses desta quarta-feira (3) destacam o clima no Rio de Janeiro a apenas dois dias da abertura dos Jogos Olímpicos. Para o diário Aujourd'hui en France, a capital fluminense vive uma crise de identidade, entre belezas naturais e insegurança, o destaque que recebe ao sediar a Olimpíada e a revolta com as falhas na organização do evento.

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"Rio em modo Jogos Olímpicos", diz a manchete de uma matéria do jornal Aujourd'hui en France. O enviado especial do diário ao Brasil escreve que "em dois dias, o coração do planeta vibrará em ritmo de samba ou bossa nova", apesar dos problemas políticos, econômicos, de segurança e sanitários.

O diário classifica o Rio de Janeiro como "uma cidade de duas caras", que vive "uma crise de identidade". Uma capital exuberante, com montanha, floresta e praia, que não foi à toa batizada de "Cidade Maravilhosa". Ao mesmo tempo, o Rio de Janeiro também é uma das cidades mais perigosas do mundo, "onde gangues armadas protagonizam uma guerra aberta", regada a uma violenta repressão policial, ressalta o diário.

A principal vítima dessa situação, na opinião do jornal, é a população das favelas. A cor da pele e a classe social ainda são sinônimos de delinquência, suficientes para legitimar assassinatos frequentes de homens negros e pobres, escreve Aujourd'hui en France.

Controverso legado olímpico

O diário também fala do duplo sentimento da população carioca ao acolher a competição esportiva mais importante do mundo, mas ter que lidar com as críticas sobre as falhas na organização do evento. O enviado do diário entrevista Mario Brum, professor de história da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, que declara que quando a cidade venceu a disputa para sediar os jogos, todos estavam entusiasmados. "Mas vamos ter um legado olímpico controverso", completa o professor de história. Nem mesmo as chances de o Brasil levar ouro nos jogos atenuam a amargura dos cariocas que, enfatiza o Aujourd'hui en France, "não estão para festa".

O correspondente do jornal Les Echos no Brasil, Thierry Ogier, ressalta o descontentamento dos brasileiros diante da grave crise política e econômica, que se adiciona à revolta com os erros, gastos excessivos e atrasos nas obras para a competição. Em três anos, a porcentagem de cidadãos contrários à realização da Olimpíada passou de 25% a 50%, publica o diário, citando uma pesquisa do Datafolha.

"Mesmo que 7 em cada 10 brasileiros esperem que tudo ocorra bem na realização do evento, uma outra recente pesquisa do Ibope mostra que a maioria da população tem uma posição muito crítica e acredita que os jogos resultarão em mais problemas do que benefícios ao país", publica Les Echos. O jornal cita uma declaração do prefeito do Rio, Eduardo Paes, ao jornal britânico The Guardian: "Com essa crise econômica e política, com todos esses escândalos, este não é o melhor momento para estar sob os olhares do mundo".

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