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A Semana na Imprensa

Brasil não tem “nem tempo, nem vontade” de proteger os índios, diz Le Monde

Áudio 03:00
Orlando Villas-Bôas e um índio ikpeng, em 1967.
Orlando Villas-Bôas e um índio ikpeng, em 1967. Creative commons/ J.P. arquivo da família Villas Bôas

A revista M do jornal Le Monde penetra nesta semana na floresta do Parque Indígena do Xingu, terra dos índios ikpeng. Em mais uma reportagem da série especial sobre o Brasil, a publicação verifica os estragos das queimadas na Amazônia e constata: o país “não tem tempo, nem vontade de proteger os seus 900 mil índios, repartidos em cerca de 240 tribos”.

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A reportagem é assinada pelo filho do etnógrafo francês Patrick Menget, especialista nessa etnia indígena. O repórter relata a sua primeira viagem ao local em mais de 30 anos – na última vez, ele era criança, quando o pai levava a família inteira para acompanhar as missões de estudos na Amazônia.

Lucas Menget conta a história do povo ikpeng, que se escondeu cada vez mais na floresta para “tentar viver em paz”, distante do homem branco. O texto explica que, “dizimados por guerras e doenças”, eles acabaram por aceitar ser ajudados pelos brasileiros, sob intermédio dos irmãos Villas-Bôas. Foi quando concordaram em morar no parque nacional, nos anos 1960.

Hoje, a maior ameaça às 14 tribos que lá vivem é o avanço incessante das plantações de soja, nota o repórter. “Diante de um governo brasileiro que busca tornar a floresta rentável, os ikpeng começaram a se exprimir”, afirma o texto, ressaltando o apelo mundial feito pela etnia em 2007, com a ajuda da organização Survival International.

Políticos não têm projetos para os índios, afirma revista

A reportagem explica que, há alguns anos, os povos indígenas passaram a ter acesso ao voto nas eleições brasileiras, com helicópteros que levam as urnas nas tribos para que elas possam participar. “Mas votar em quem? Nenhum dos candidatos tem um programa ou respeito por eles. E todos os partidos políticos apoiam o setor do agronegócio”, diz a revista M, lembrando que a presidente Dilma Rousseff alavancou o controverso projeto da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu.

A matéria ainda aborda os efeitos das mudanças climáticas para as tribos: a cada ano, a estação das chuvas começa mais tarde, ao ponto de prejudicar o abastecimento alimentar dos índios. Além disso, a revista observa que, pouco a pouco, a influência urbana se faz sentir, a começar pela televisão, que atrai a atenção dos índios para as novelas, assim como os jogos diários de futebol organizados pelas tribos. A escola é outra “janela para o mundo”, nota o texto: animados com os computadores do local, muitos alunos já têm até página no Facebook.
 

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