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A Semana na Imprensa

Pastor, fuzis e traficantes: a visita do Le Monde a um baile funk carioca

Áudio 02:58
Capa da revistq "M", a publicação de fim de semana do jornal Le Monde.
Capa da revistq "M", a publicação de fim de semana do jornal Le Monde. Revista M/Reprodução

A revista de fim de semana do jornal francês Le Monde traz uma reportagem sobre o funk carioca. O repórter Nicolas Bourcier relata a primeira vez que visitou um baile funk, na comunidade do Chapadão, em 2011. Diante dele, uma cena representativa do Brasil em diferentes esferas.

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Antes da festa começar, um pastor evangélico sobe ao palco para fazer uma reza e desejar feliz aniversário ao traficante chefe do morro, na época, Fabiano Atanázio da Silva, o FB do Comando Vermelho.

A reportagem deste fim de semana encerra uma série de matérias semanais sobre o Brasil, publicadas ao longo dos Jogos Olímpicos do Rio. Nesta última, os jornalistas franceses foram conhecer como funcionam os bailes funks nas favelas do Rio, lembrando que o ritmo foi um dos homenageados na cerimônia de abertura da Olimpíada.

Segundo o Le Monde, o funk “encarna o orgulho das favelas, sua energia, mas também sua revolta e violência”. A revista diz que o fato de o funk ter aparecido na cerimônia de abertura foi algo surpreendente, já que há muitos anos as autoridades brasileiras estariam “em guerra” contra os bailes e seus DJs. A intenção dos governantes de mostrar um Rio pacificado, segundo o Le Monde, vai contra o funk e “estigmatiza ainda mais o estilo e a juventude que vive neste guetos”.

Após a longa descrição do baile de 2011, que ele classifica como “rap pornográfico”, o repórter volta aos dias atuais, e conta que bailes como este do Chapadão já não existem mais. A partir de 2007, quando o Brasil foi anunciado país-sede da Copa do Mundo de 2014, as Unidades de Polícia Pacificadora ganharam o direito de proibir qualquer manifestação cultural considerada contrária à segurança. Esse era o caso de grande parte dos bailes, onde “crianças seguram fuzis maiores que o próprio corpo”, segundo a descrição da publicação francesa.

Liberdade de expressão

A reportagem da "Revista M" é ilustrada por fotos de Vincent Rosenblatt, francês habituado a frequentar bailes na favela. Os retratos mostram mulheres ajoelhadas de quatro sobre o rosto de homens, em um dos tipos de coreografia dos bailes.

Em depoimento à reportagem, o fotógrafo critica a proibição e até a prisão de alguns DJs de funk por apologia da violência. Segundo ele, as letras não são mais violentas do que as de grandes nomes da música internacional, como Nick Minaj, mas, segundo ele, “a liberdade de expressão não é solidamente aceita no Brasil como é no hemisfério norte”.
 

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