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Brasil/Olimpíada

“A Olimpíada acabou. E agora?”, questiona a imprensa francesa

Ressaca depois das Olimpíadas - o pior está  por vir no Brasil segundo imprensa francesa
Ressaca depois das Olimpíadas - o pior está por vir no Brasil segundo imprensa francesa Ed JONES / AFP

“Ressaca”. É assim que o jornal Le Monde define o sentimento que toma conta do Brasil com o fim da Olimpíada. Durante 15 dias, a cidade maravilhosa esqueceu seus problemas para celebrar atletas do mundo inteiro.

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A crise política, os banheiros entupidos da Vila Olímpica, o público barulhento. Tudo isso, segundo o Le Monde, não invalida o sucesso da Olimpíada. “Nada estragou o espírito olímpico e por um tempo nos esquecemos dos escândalos de corrupção e do vírus zika que devasta o país”, escreve o jornal. “Mas e agora?”, questiona o Le Monde.

Segundo o jornal, com o fim da Olimpíada, o choque da realidade pode ser forte. Os turistas foram embora e chegou o momento em que o país terá novamente que enfrentar a crise política, econômica, e, principalmente, a corrupção e os processos que revelam cada vez mais detalhes e personalidades públicas envolvidas. “Chegou a hora de fazer as contas, temer as dívidas, e reclamar dos estádios inúteis”, diz o texto.

Ressaca difícil de superar

Le Parisien também dedicou um texto sobre o fim da Olimpíada, falando de “futuro incerto”. Para o jornal francês, a competição teve o mérito de “reconciliar o Brasil com sua seleção” e a final entre Brasil e a Alemanha e o ouro olímpico teve gosto de revanche. O jornal também cita o ouro do vôlei que bateu a Itália na final como um momento de redenção. Entretanto, o “fim das Olimpíadas dá medo, medo de uma ressaca pós-olímpica que será difícil de encarar”, destaca o jornal.

 Le Figaro fala de um clima de vingança, principalmente nas entrevistas dadas pelas autoridades do país, satisfeitas com a ausência de incidentes menores e com o funcionamento razoavelmente correto das infraestruturas, apesar das dificuldades iniciais na Vila Olímpica. Uma pesquisa do Ministério do Turismo mostrou, inclusive, que 90% dos turistas querem voltar à cidade.

A população, entretanto, está “dividida” quanto ao sucesso dos jogos, segundo Le Figaro. As críticas são mais contundentes quando os entrevistados moram longe do centro da cidade. O jornal lembra, por exemplo, que muitas favelas viveram sob o fogo cruzado da guerra do tráfico durante a Olimpíada. De acordo com a Anistia Internacional, no período houve 59 tiroteios e 14 mortos. O jornal também destaca a desigualdade marcante que sempre existiu no Rio. “São duas facetas de uma mesma cidade: uma se submete às armas de fogo, e a outra vive sob a luz dos projetores.”
 

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