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Brasil

Partidos tradicionais sofrem derrota nas municipais no Brasil, diz Les Echos

Campanha eleitoral muncipal no Rio de Janeiro, em 2 de outubro de 2016.
Campanha eleitoral muncipal no Rio de Janeiro, em 2 de outubro de 2016. REUTERS/Sergio Morae

A imprensa francesa desta quarta-feira (5) continua analisando o resultado do primeiro turno das eleições municipais brasileiras. Les Echos publica uma matéria com o título “Brasil: derrota para os partidos tradicionais”. Apesar do título do artigo, a matéria do correspondente concentra sua análise na vitória de João Doria em São Paulo, que é do PSDB, mas não é um político tradicional, diz o jornal.

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Apesar de pertencer ao tradicional partido brasileiro, o fato revelador é que “um novato na política foi eleito já no primeiro turno na maior cidade do Brasil”, ressalta o diário econômico. Lembrando o slogan de campanha do tucano, o texto afirma que “João, o trabalhador” teve sucesso e fez sensação ao derrotar o atual prefeito do PT, Fernando Haddad, que obteve apenas 16,4% dos votos.

Para o jornal, a vitória de Doria na votação de domingo (2) é "uma grande conquista para o empresário conservador, que construiu sua notoriedade em debates televisivos, antes de criar sua própria rede de influência, a associação LIDE, formada por líderes empresariais de corporações nacionais e internacionais.”

Fortuna de Doria favoreceu sua campanha

A ascensão de tucano foi fulgurante. Outsider, ele conseguiu “com um discurso contrário à política tradicional” se impor como candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo nas primárias do partido, e depois, durante a campanha, subir nas pesquisas até atingir o primeiro lugar.

Les Echos avalia que o rico João Doria, que pôde usar sua fortuna pessoal para financiar a campanha, foi beneficiado pelas novas regras eleitorais que proíbem doações de empresas. O prefeito eleito, que se apresenta como um gestor, “promete privatizar na marra do circuito de Fórmula 1 aos corredores de ônibus e ciclovias”, informa o correspondente Thierry Ogier.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que apoiou a candidatura de Doria contra a opinião dos caciques do PSDB, também sai vitorioso das municipais. Alckmin está agora em boa posição na disputa pelo nome que irá representar os tucanos nas presidenciais de 2018.

PT foi o grande derrotado

Somente no final, o artigo faz uma análise mais nacional do resultado do primeiro turno. Les Echos afirma que os recentes escândalos de corrupção que envolvem os partidos tradicionais, também marcaram a votação para prefeitos nos 5.567 municípios do país.

Apenas um mês após a destituição de Dilma Rousseff, "o PT de Lula sofreu grande derrota e a abstenção ultrapassou nacionalmente os 17,5%, em um país onde o voto é obrigatório". O Partido dos Trabalhadores, a principal sigla de esquerda brasileira, perdeu metade das prefeituras conquistadas em 2012 e no Rio, nem sequer apresentou candidato.

O segundo turno acontece em 30 de outubro, e em capitais importantes como Rio de Janeiro e Belo Horizonte, os favoritos são candidatos evangélicos, conclui Les Echos.

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