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Brasil

Para Le Monde, sociedade brasileira vive grave desordem

Eleitor carioca exibe adesivos do candidato do PSOL às municipais, Marcelo Freixo, e contra o presidente brasileiro, Michel Temer.
Eleitor carioca exibe adesivos do candidato do PSOL às municipais, Marcelo Freixo, e contra o presidente brasileiro, Michel Temer. REUTERS/Pilar Olivares

Em coluna publicada na edição deste domingo (6) do jornal Le Monde, a correspondente do diário em São Paulo, Claire Gatinois, analisa as razões da derrota do Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições municipais, realizadas em outubro no Brasil. Para a jornalista, os resultados do pleito são uma sanção imposta à legenda de Lula devido ao envolvimento do partido no maior escândalo de corrupção já revelado no Brasil.

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No artigo, intitulado de "A desordem da sociedade brasileira", Gatinois não poupa críticas ao PT. Segundo ela, o partido "decepcionou seus eleitores fazendo alianças contra sua própria natureza para se manter em Brasília e desencantou seus militantes com esses compromissos, suas promessas não cumpridas e a austeridade imposta em 2014".

Aflitos e conscientes da derrota, escreve a jornalista, nem Lula nem Dilma tiveram coragem de ir votar no segundo turno, no dia 30 de outubro. "O voto deles era, de fato, inútil", avalia.

Ela explica que, depois de um desastre anunciado para o partido, com os decepcionantes resultados do primeiro turno, a esquerda já previa um massacre nas urnas. "O PT perdeu mais de 60% das prefeituras que governava, seduzindo apenas 5,9 milhões de eleitores, ou seja, 85% menos que em 2012", destaca.

Gatinois também ressalta as derrotas simbólicas dos petistas, como as vitórias do PSDB em São Bernardo do Campo - berço do movimento dos trabalhadores -, e em Porto Alegre, bastião histórico da esquerda. Para piorar o quadro, "no segundo turno, o PT não ganhou em nenhum lugar", salienta a correspondente.

Lava Jato foi a principal candidata das municipais

Segundo Gatinois, a queda vertiginosa da esquerda retrata uma profunda desordem da sociedade brasileira e a forte decepção dos eleitores. Uma prova disso é a taxa inédita de abstenção nas municipais: 21%. "Uma novidade no Brasil, onde o voto é obrigatório", lembra.

Além disso, a jornalista destaca que o pleito ficou marcado pela porcentagem recorde de votos brancos e nulos, 13%. Para ela, a melhor análise dos resultados foi a de um leitor do jornal Folha de S. Paulo, no dia seguinte à votação: "o principal candidato dessas municipais foi a Lava Jato".

A operação descobriu o envolvimento dos principais partidos brasileiros no mais grave esquema de corrupção já revelado no país. O PSDB, considerado o grande vencedor das eleições municipais, conta com diversos membros citados nas investigações da Lava Jato - entre eles o próprio ministro das Relações Exteriores, José Serra. Mas, ao contrário do PT, os sociais-democratas não foram punidos nas urnas.

Segundo a correspondente do Le Monde, isso se deve ao esforço do PSDB na destituição de Dilma Rousseff. Com esta posição, o PSDB teria conquistado uma boa parte do eleitorado nas municipais.

Já para Marcos Antonio Carvalho Teixeira, professor de Ciências Políticas na Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), entrevistado pela jornalista, a vitória dos sociais-democratas nas municipais deve ser interpretada como um protesto dos eleitores. Segundo ele, muitos veem o partido como o principal oponente do PT.

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