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Brasil-América Latina

Balança comercial entre Brasil e Venezuela despenca

Áudio 02:58
Fernando Portela, diretor executivo da Câmara de Comércio Venezuelana-Brasileira.
Fernando Portela, diretor executivo da Câmara de Comércio Venezuelana-Brasileira. Arquivo pessoal.

Brasil e Venezuela eram grandes parceiros comerciais. Mas agora, o vizinho latino-americano já não importa mais tantos produtos brasileiros, após perder poder econômico com a queda do preço internacional do petróleo. Além disso, Brasília tem preferido outros mercados mais pujantes e que paguem em dia. Resultado, a balança comercial entre os dois países despencou.

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Elianah Jorge, correspondente da RFI em Caracas

Para entender essa nova fase da relação comercial entre Brasil e Venezuela, a RFI conversou com Fernando Portela, diretor executivo da Câmara de Comércio Venezuelana-Brasileira (Cavenbra). Ele informa que “no terceiro trimestre deste ano, o Brasil exportou para a Venezuela aproximadamente US$ 980 milhões”. Em relação ao mesmo período de 2015, as negociações caíram mais de 60%, calcula.

A Venezuela ainda não desenvolveu um parque industrial capaz de suprir a demanda interna. O país depende das importações e muitas delas, sobretudo a de alimentos e de produtos de higiene pessoal, vinham do Brasil. A redução das negociações tem gerado preocupação entre os consumidores, que não podem mais comprar, carne brasileira, como reclama uma dona de casa ouvida pela reportagem da RFI.

Com a crise, a população tem que enfrentar grandes filas para tentar comprar produtos da cesta básica e a redução das importações do Brasil pode ter um impacto bastante forte na mesa dos venezuelanos. Uma consumidora teme a interrupção das relações comerciais. Ela ressalta que o pouco que estão enviando não é suficiente. “Imagine se param de fazê-lo? Seria terrível para nós venezuelanos”, afirma.

Roraima se transformou em mercado para venezuelanos

As grandes importações feitas através de acordos comerciais estão em queda, mas as vendas no varejo na fronteira entre os dois países aumentaram. Roraima, o estado brasileiro que faz fronteira com a Venezuela, se transformou em um ponto de abastecimento varejista.

Venezuelanos viajam ao território brasileiro para comprar produtos escassos com o objetivo de revendê-los na Venezuela. Comprar produtos no mercado negro é uma das alternativas as longas filas na porta dos supermercados venezuelanos.

“Para mim, isso é um benefício, porque é possível conseguir o produto sem enfrentar fila durante os dias da semana. (…) No mercado negro, eles vendem pelo dobro do preço os produtos importados colombianos e brasileiros, mas é uma alternativa mais barata do que a oferta dos bachaqueros” (os revendedores ilegais), explica um consumidor.

A fragilidade da economia venezuelana se reflete também na inflação e em suas consequências para o bolso dos cidadãos. Comprar produtos importados não tabelados pelo governo pode ser impossível. Outro consumidor lembra que “não ganha o suficiente para pagar por estes produtos importados”. Ele lamenta que a “economia está péssima!”

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