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Corrupção

Imprensa francesa destaca manifestações no Brasil e prêmio à Lava Jato

Título do jornal Le Parisien: "Escândalo Petrobras no Brasil: alguns procuram a impunidade".
Título do jornal Le Parisien: "Escândalo Petrobras no Brasil: alguns procuram a impunidade". RFI

As manifestações de domingo (4) em defesa da operação Lava Jato têm repercussão na imprensa francesa. Com base nas informações enviadas pela agência AFP, o site da revista L'Express afirma que o Brasil entrou "em uma zona de fortes turbulências 'político-judiciais', com a acusação contra o presidente do Senado, Renan Calheiros, por desvio de dinheiro público, e devido ao potencial explosivo dos acordos de leniência e delação premiada concluídos com a Odebrecht.

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A reportagem da L'Express mostra que os manifestantes, convocados por organizações da sociedade civil, carregavam cartazes pedindo a saída de Renan Calheiros do Senado e da linha sucessória presidencial. O texto faz um breve balanço do número de manifestantes nas ruas, evocando 20 mil pessoas no Rio de Janeiro, 15 mil na avenida Paulista e 5 mil em frente ao Congresso, em Brasília.

A L'Express estima que o presidente Michel Temer ficou em situação delicada, após as acusações contra o presidente do Senado, um grande aliado no processo de destituição da ex-presidente Dilma Rousseff.

O canal de televisão France 5 exibe imagens dos manifestantes em São Paulo e o comentário da brasileira Paula Suarez, de 51 anos. "Nós saímos nas ruas para apoiar o impeachment da Dilma, mas isso não significa que os políticos podem dormir sossegados. Eles devem saber que nós vamos continuar a protestar contra essa corrupção generalizada", diz a manifestante às câmeras.

Jornais aprovam prêmio da Transparência Internacional à Lava Jato

Le Monde e Le Parisien informam sobre o prêmio anticorrupção concedido no sábado (3) pela ONG Transparência Internacional (TI) à força-tarefa da Lava Jato. Os dois jornais relatam que o coordenador das investigações, Deltan Dallagnol, dedicou a premiação a todos os brasileiros.

Le Parisien lembra que os procuradores da Lava Jato demonstraram que os contratos da Petrobras com grandes empreiteiras brasileiras eram sistematicamente superfaturados de 1% a 5%, "com a cumplicidade dos dirigentes das empresas". Uma parte das comissões ilícitas obtidas no esquema fraudulento era destinada a compor o caixa dois das campanhas eleitorais de dezenas de políticos brasileiros, destaca o texto.

Le Monde e Le Parisien consideram o prêmio da Transparência Internacional uma importante vitória para a luta contra a corrupção no Brasil.

Em um segundo texto sobre o encerramento do congresso anual da entidade, neste domingo, no Panamá, Le Parisien reproduz uma declaração do presidente da TI, José Ugaz. "Alguns, no Brasil, buscam soluções para garantir a impunidade". O comentário faz referência à tentativa da Câmara dos Deputados de desfigurar o projeto de lei sobre medidas de combate à corrupção e à emenda, aprovada na semana passada, que permite acusar juízes, procuradores e promotores de abuso de autoridade.

Segundo declaração de Ugaz ao Le Parisien, "caso os procuradores da Lava Jato sejam levados a renunciar às investigações, seria uma tragédia para o Brasil e para o mundo, porque não é só o futuro do país que está em jogo, mas também um modelo de ruptura da impunidade que interessa a todos", defendeu o presidente da Transparência Internacional.

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