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Brasil-América Latina

Times argentinos fazem homenagem à equipe da Chapecoense

Áudio 04:31
Camisas dos clubes que mostram sua solidariedade à equipe da Chapecoense
Camisas dos clubes que mostram sua solidariedade à equipe da Chapecoense (Foto: Divulgação)

Clubes argentinos da Primeira Divisão fizeram uma homenagem aos jogadores da Chapecoense, que morreram em um acidente aéreo no dia 28 de novembro. As camisas das equipes ganharam o escudo do clube catarinense e serão enviadas a Chapecó.

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Márcio Resende, correspondente da RFI Brasil em Buenos Aires

Dia 4 de dezembro. Pela primeira vez na história do futebol argentino, um time joga com o uniforme de outro clube e ainda por cima estrangeiro. O San Lorenzo de Almagro, cujo mais famoso torcedor é o Papa Francisco, deixa de lado o azul e o vermelho para vestir o verde numa original homenagem ao Chapecoense. Usa as mesmas camisas que pertenceram aos jogadores, agora falecidos, e com os quais, dias antes, os argentinos tinham disputado a semifinal.

Os argentinos sentem, de perto, a tragédia que deixou 71 mortos entre jogadores, técnicos, dirigentes e jornalistas. E se o San Lorenzo tivesse derrotado o Chapecoense na semifinal, teria viajado naquele 29 de novembro para a final na Colômbia no mesmo avião do Chapecoense?

Foi o que pensou María del Carmen Amézqueta, representante do San Lorenzo. "Como torcedora do San Lorenzo, isso também passou pela minha cabeça. Na hora, quando soube da notícia, fiquei imobilizada. Pensei que os meus jogadores podiam ter estado naquele lugar. Eu lidei diretamente com os dirigentes do Chapecoense dias antes. Inclusive agora, neste momento, eu sinto um nó no peito", descreve.

A emoção toma conta de todos os dirigentes do futebol argentino, reunidos na Embaixada do Brasil em Buenos Aires. Dos 30 clubes argentinos da Primeira Divisão, 25 entregaram ao embaixador brasileiro, Sérgio Danese, as camisas que usaram nos jogos dos dias 3 e 4 de dezembro em homenagem aos jogadores do Chapecoense. Os demais clubes, como o River Plate e o Boca Jr, fizeram-no de forma individual.

Javier Montanari, presidente de Relações Públicas do Huracán, é o dirigente argentino mais próximo do clube catarinense. Perdeu dois amigos no acidente. Os dirigentes Mauro Stumf e Eduardo Preuss, o Cadu Gaúcho.
De todos os clubes argentinos, a torcida do Huracán era a torcida do Chapecoense em Buenos Aires. O Chapecoense eliminou, na semifinal, o San Lorenzo, arqui rival do Huracán. Automaticamente, ganhou o carinho da torcida.

"Quando eles vieram, nós dissemos que eles tinham aqui milhares de torcedores, os do Huracán", recorda Montanari, quem prevê uma eterna recordação do Chapecoense em todos os campeonatos sul-americanos. "Para mim, será o clube que ninguém vai esquecer em todas as Copas Sul-americanas. Ninguém vai esquecer o Chapecó. Com esta desgraça, dentro de quatro ou cinco anos, será um time muito fortalecido. Para mim, já estão entre os grandes do Brasil", prevê.

E até lá, quando o clube catarinense enfrentar um argentino, vai prevalecer a rivalidade ou vão deixar o Chapecoense ganhar?"Imagina! Eu não deixo ganhar nem os meus filhos", brinca Montanari. "O que acontece dentro do campo de jogo tem de terminar no campo do jogo. A rivalidade não pode continuar depois. O jogador Alejandro Martinuccio (do Chapecoense) poderia ter viajado naquele avião, e ele é argentino", explica.

Amizade no lugar da rivalidade

Se o futebol brasileiro tem no argentino o seu principal rival, desta vez, teve provavelmente o seu principal amigo. Além da profunda demonstração de solidariedade do povo de Medellín na Colômbia, os argentinos foram um dos que mais sentiram a tragédia, como explica o embaixador brasileiro aqui em Buenos Aires, Sérgio Danese.

"Nós recebemos um apoio enorme por parte dos países vizinhos Esta iniciativa dos clubes argentinos é particularmente bem sucedida porque mostra isso: a rivalidade que pode haver, acontece dentro dos campos, dentro dos estádios. Atrás dos clubes estão as torcidas. Portanto, isso aqui é um movimento que representa o sentimento de toda a Argentina", agradece emocionado.

Através da Embaixada, as camisas serão enviadas à Santa Catarina como um presente do futebol argentino à Chapecó.

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