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Incompetência brasileira impede inauguração da ponte Brasil-Guiana, diz senador Randolfe

Áudio 06:39
O senador Randolfe Rodrigues (Rede -AP) durante discurso no Senado brasileiro.
O senador Randolfe Rodrigues (Rede -AP) durante discurso no Senado brasileiro. Moreira Mariz / Agência Senado

Uma eventual a abertura provisória da ponte sobre o rio Oiapoque, na divisa entre o Brasil e a Guiana Francesa, prevista inicialmente para a segunda-feira 16 de janeiro, não resolveria o problema que emperra a inauguração oficial desta importante ligação entre o estado do Amapá e o território ultramarino francês, segundo o senador Randolfe Rodrigues (REDE - AP).

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“Existe um boato de uma abertura parcial em janeiro. Mesmo que ocorra essa abertura, ela não resolve o problema. A abertura seria parcial, para o transporte de passageiros, e não daria conta de todas as necessidades”, afirmou em entrevista à RFI Brasil.

“A ponte é a ligação do Amapá com o mundo”, afirma o senador Randolfe, que trabalha para que o projeto de décadas entre os governos do Brasil e da França seja, enfim, concretizado. Segundo ele, os dois países têm muito a ganhar. “Para a França, a ponte sobre o Oiapoque vai abrir uma nova porta de acesso para o país vizinho e outros mercados da América do Sul. Para o Brasil, através do Amapá, abre-se um mercado de 1 milhão de pessoas que estão isoladas”, afirma.

Problemas burocráticos emperram a inauguração da ponte, que está pronta desde 2011. Para Randolfe Rodrigues, a responsabilidade pela situação é “fundamentalmente brasileira”. “A França investiu dinheiro para a construção e a inauguração da ponte, e construiu sua alfândega. A burocracia e a incompetência do governo brasileiro são o principal impasse nesse momento. Tanto do governo anterior quanto do atual, de Michel Temer”, ataca.

De acordo com o senador, o problema está no posto aduaneiro do lado brasileiro, que ainda não está pronto. “Todo o problema é pessoal para colocar o posto aduaneiro, ou seja, é uma incompetência completa, um excesso de burocracia da parte brasileira que impede a inauguração da ponte”, diz, sem esconder uma irritação com a situação. “Tem faltado mais empenho por parte das autoridades brasileiras”, insiste.

Projeto quer indenizar barqueiros

Quando for definitivamente inaugurada, em data ainda não oficialmente definida, a ponte deverá trazer prejuízos para os barqueiros que transportam pessoas e cargas pelo rio Oiapoque. Por isso o senador Randolfe Rodrigues criou um projeto que prevê indenizações aos barqueiros.

Há estimativas de que a entrada em funcionamento da ponte possa representar uma queda de até 90% da atividade dos barqueiros, ou até mesmo desaparecer, segundo o senador pelo Amapá. “Nós entendemos que é justo que o estado brasileiro ofereça a esses barqueiros, ou catraieiros, como se diz na fronteira, uma indenização para que eles façam a transição para outra atividade”, defende.

O cálculo da indenização deverá ser definido pelo estado brasileiro, caso o projeto de lei seja aprovado pelo Congresso nacional. O texto ainda tramita na Comissão de Assuntos Econômicos e deve receber também o sinal verde da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo antes de ser enviado à Câmara dos Deputados.

 

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