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"Tudo virava música na mão dela", diz cantora sobre Loalwa, do Kaoma

Loalwa (centro) liderou o grupo Kaoma
Loalwa (centro) liderou o grupo Kaoma Divulgação

A carioca Catia Werneck, que cantou com Loalwa Braz no Kaoma, ainda está em estado de choque com a notícia da morte da amiga, encontrada carbonizada dentro do seu próprio carro em Saquarema, na região dos Lagos do Rio de Janeiro, na quinta-feira (19).

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Segundo a polícia, que já prendeu um suspeito, ela foi assassinada após um assalto. "Fiquei muito mal, porque morrer todo mundo vai, mas a forma como ela morreu é incompreensível. Nenhum ser humano merece isso, muito menos ela, que não era um monstro, não era estupradora de crianças", disse em entrevista à RFI Brasil. Para Catia, que mora em Paris, "a violência no Brasil atingiu um nível absurdo".

A cantora Catia Werneck era amiga de Loalwa
A cantora Catia Werneck era amiga de Loalwa Divulgação

O guitarrista Toninho do Carmo, que acompanhou Loalwa na banda Cruzeiro do Sul, conta que "ficou chocado como todo mundo". "É muito triste. Nós trabalhamos juntos durante muito tempo, antes de ela fazer sucesso com o Kaoma." Para o percussionista Silvano Michelino, que tocou com ela na noite de Paris, a notícia reviveu um pesadelo: seu filho também morreu carbonizado. "É muito complicado para mim."

A última vez que Catia falou com Loalwa foi há cerca de um mês. "Ela estava bem. Ela continuava se dedicando à carreira, fazendo shows com o disco 'Ensolarado'. Ela também estava se apresentando muito em programas de TV", conta. A outra paixão da artista, segundo Catia, era a pousada que ela tinha em Saquarema (onde também morava), de frente para a praia, perto da qual ela foi encontrada morta. "Eu fui lá quando estive no Rio. Ela era muito cuidadosa, tudo era bem-feitinho." O suspeito preso pela polícia trabalhava há duas semanas no estabelecimento.

Rio de Janeiro, anos 1980

Catia conheceu Loalwa em 1980, quando começou a cantar na noite do Rio de Janeiro. "Ela gostava de mim e sempre me chamava para substituí-la quando não podia cantar. Ela me ensinou muito, não apenas a mim, mas a quem quisesse aprender a cantar", lembra. "Ela era fantástica, uma profissional com um talento incrível, tudo virava música na mão dela."

Toninho do Carmo tocou com Loalwa na banda Cruzeiro do Sul
Toninho do Carmo tocou com Loalwa na banda Cruzeiro do Sul Divulgação

Em 1985, as duas participaram juntas do teatro de revista "Brésil en Fête" na capital francesa. Foi então que Loalwa decidiu se mudar para a França e chamou a amiga para acompanhá-la. "Eu vim para Paris por causa dela. Eu não queria vir, e ela me incentivou. Ela foi a razão da mudança total da minha vida".

Quando Loalwa foi selecionada como vocalista do Kaoma, grupo ativo até 1998, ela convidou Cátia para ser "vocalista de apoio". O sucesso mundial veio com a lambada "Chorando Se Foi". "Ela lidou muito bem com a fama. Não teve medo, encarou bem. Ela segurava um palco de uma maneira excelente", conta. "Ela ficou feliz porque pôde trazer os dois filhos e a mãe do Brasil."

Transição "muito rápida"

Já Toninho do Carmo diz que a transição do "anonimato" para o Kaoma foi "muito rápida". "Nós nos apresentamos em 1987 no festival de Montreux, na Suíça, com o Cruzeiro do Sul, e logo depois ela entrou para o grupo de lambada. Ela encarou muito bem o sucesso, foi uma boa surpresa. Ela sempre sonhou com isso. Foi bom também para o Brasil ter uma cantora de sucesso planetário."

Para Michelino, apesar de contente com o êxito, Loalwa não gostava do repertório. "Ela queria provar que podia cantar músicas mais sofisticadas. Então havia esse conflito entre a fama e a arte."

O percussionista Silvano Michelino tocou com Loalwa na noite de Paris
O percussionista Silvano Michelino tocou com Loalwa na noite de Paris Divulgação

Após o hit "Chorando se Foi", a banda foi se apagando. "Ela ficou perdida. Depois houve a confusão com a acusação de plágio", lembra Michelino. A canção é, na verdade, cópia de uma música tradicional boliviana, o que se revelou um verdadeiro escândalo na época.

Tanto Toninho quanto Michelino haviam perdido contato com a cantora. Mas o primeiro conta que ficou sabendo que ela realizava em sua pousada shows de reencontro com músicos brasileiros que moravam na França e voltaram para o Brasil. "É terrível saber que foi nesse mesmo local que ela morreu."

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