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Carne Fraca: "Qualquer notícia negativa tem seu impacto", diz embaixador brasileiro

Áudio 07:23
Paulo César de Oliveira Campos, embaixador do Brasil na França
Paulo César de Oliveira Campos, embaixador do Brasil na França RFI

Nesta entrevista, Paulo César de Oliveira Campos, embaixador do Brasil na França, comenta temas da atualidade como a Operação Carne Fraca, o lançamento do primeiro satélite brasileiro, em parceria com a França, e a abertura da ponte Guiana-Brasil.

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Em pleno debate entre Mercosul e União Europeia sobre um acordo de livre comércio, a Operação Carne Fraca pode estremecer a imagem de qualidade do primeiro exportador mundial do produto.

Para Paulo César de Oliveira Campos, "qualquer noticia com caráter negativo sempre tem seu impacto, mas uma negociação com o Mercosul não é conduzida por notícias, mas sim por fatos, e o fato é que foi identificado um problema e temos que ter uma solução; e essa solução que precisamos encontrar, esperamos que seja suficiente para que a negociação não saia do seu objetivo principal", diz o diplomata, lembrando que "qualquer negociação não é um rio caudaloso, é um rio de corredeiras, tem turbulências, momentos mais agitados, encontra-se pedras no caminho, mas isso é parte das negociações, que às vezes são mais tranquilas, outras mais estridentes, isso é normal. A anormalidade é que esse fato tenha ocorrido no Brasil agora e estamos trabalhando para resolver", afirma o embaixador.

Satélite vai dar independência ao Brasil

Nesta terça-feira (21), o Brasil deve lançar do Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa, seu primeiro Satélite Geoestacionário para Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), de emprego civil e militar. O objetivo é reforçar a segurança e ser mais independente na comunicação dos segmentos de defesa, além de estender o acesso à internet banda larga em todo o território nacional, inclusive nas plataformas petrolíferas.

"Um dos vetores da parceria estratégica entre Brasil e França é justamente este primeiro satélite brasileiro, que levou dois anos para ser construído com a participação de técnicos brasileiros, o que é muito importante, e permitiu transferência de tecnologia", explica o embaixador, orgulhoso com os elogios que os engenheiros franceses fizeram aos 50 técnicos e engenheiros brasileiros na fase de treinamento. Dois deles vão continuar na empresa por mais um ano, "o que é muito importante pois qualifica os nossos profissionais em uma área que não temos muito conhecimento".

A ponte "meio inaugurada" sobre o Oiapoque

No sábado (18), sob pressão da França, foi "inaugurada" a ponte Guiana-Brasil sobre o rio Oiapoque, sem a presença de altas autoridades, tanto do lado francês quanto do lado brasileiro. Mesmo se a ponte ficou pronta há seis anos, o Brasil ainda queria esperar que as obras da alfândega no seu território ficassem prontas, assim como o enquadramento jurídico de tal abertura, como explica Paulo Cesar de Oliveira Campos: "Não é simplesmente abrir uma ponte, você tem que ter uma estrutura jurídica que permita que esse fluxo de pessoas e mercadorias ocorra sem dificuldades. A ponte ficou pronta sem que o aparato jurídico estivesse aprovado nos dois países".

Do lado brasileiro todos os acordos foram aprovados, inclusive os relacionados à prevenção de acidentes ambientais. "Aquela área do Brasil e da Guiana tem uma diversidade ambiental muito rica, que nós queremos preservar, e queremos saber se houver algum acidente [vazamento de óleo, por exemplo], o que é que se faz. Uma certa resistência do governo brasileiro antes de abrir a ponte, enquanto não tivesse esse aparato jurídico, era real, pois não queremos ter uma nova atividade sem que o conjunto jurídico estivesse completo. Seguro de carro, transporte de mercadorias, turismo, assistência-saúde, são alguns dos pontos que ainda precisam ser claramente definidos entre as partes. A questão dos vistos também é prioritária e está em análise.

A solução encontrada entre Brasil e França foi fazer um mês de teste, em que as pessoas vão poder trafegar de um lado para o outro da ponte para ver se está tudo funcionando bem, e se vai ser preciso fazer algum ajuste.

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