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Clássicos brasileiros são lançados no Salão do Livro de Paris

Capa dos livros “Crépuscules”, publicado pela editora Anacaona, e “Histoire d’un vaurien”, pela editora Chandeigne.
Capa dos livros “Crépuscules”, publicado pela editora Anacaona, e “Histoire d’un vaurien”, pela editora Chandeigne. Fotomontagem com @chandeigne/ Anacaona

Sete livros brasileiros, traduzidos para o francês, estão sendo lançados no Salão do Livro de Paris, que acontece até a próxima segunda-feira (27). A maioria deles é de autores contemporâneos, mas dois romances são clássicos da literatura do Brasil que nunca tinham sido publicados na França: "Memórias de um Sargento de Milícias", de Manuel Antônio de Almeida, e "Fogo Morto", de José Lins do Rego.

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As traduções dos livros brasileiros que chegaram agora às livrarias francesas estão sendo promovidas no estande do Brasil do Livre Paris 2017. Pelo quinto ano consecutivo, o país está presente no principal evento literário francês para dar continuidade a política de divulgação da literatura nacional no exterior.

"Memórias de um Sargento de Milícias", de Manuel Antônio de Almeida, é publicado pela Chandeigne, uma das editoras francesas que mais investe em literatura e livros sobre o Brasil. As aventuras do jovem Leonardo, que viveu no "tempo do Rei", isto é, no início do século 19, chegam pela primeira vez à França com o título "Histoire d'un vaurien". A tradução para o francês é assinada por Paulo Rónai e data dos anos 1950, mas havia sido publicada apenas no Brasil.

Se diz que os clássicos não envelhecem, mas que as traduções sim. No entanto, a publicação desta "Histoire d'un vaurien", pensada em parceria com Samuel Titan, é uma "dupla homenagem" ao escritor e ao tradutor da obra. "Se fôssemos traduzir agora, não faríamos da mesma maneira, mas a tradução é elegante. Reunir em um só volume o texto saboroso e cheio de humor do Manuel Antônio de Almeida com um personagem muito importante para a língua e a cultura brasileira, que é o Paulo Rónai, é uma maneira de fazer uma homenagem aos dois", explica a editora Anne Lima. Ela lembra que Rónai, um judeu húngaro e francófono que se exilou no Brasil 1941, se tornou um dos "pais" do português falado no país.

"Histoire d'un vaurien" traz um posfácio de Samuel Titan, editor, crítico e professor de literatura comparada da USP. Ele salienta que é quase um milagre essas "Memórias de um Sargento de Milícias" terem chegado até os tempos de hoje. "Publicado semanalmente em um jornal carioca entre junho de 1852 e julho de 1853, essa pequena jóia da literatura brasileira poderia ter se perdido como tantos outros folhetins do século 19”. O romance conta a história do "primeiro malandro" brasileiro, que nasceu de "uma pisadela e um beliscão durante um encontro em alto mar", e inspirou grandes escritores. De Machado de Assis a Chico Buarque, os discípulos de Manuel Antônio de Almeida, que morreu aos 30 anos em 1861, são inúmeros.

Traduzir um "monstro da literatura brasileira"

"Fogo Morto", de José Lins do Rego, chega às livrarias francesas com o título de "Crépuscules" e traz belas ilustrações de Maurício Negro. A tradução é assinada pela editora Paula Anacaona que dedicou muito tempo para transpor para o francês o romance deste "mostro da literatura brasileira".

Ela diz que se apaixonou pelo romance como leitora, quando ainda nem era tradutora ou editora. Quando abriu a Anacaona, especializada exclusivamente em literatura brasileira, resolveu publicá-lo: "fiquei intimidada, não podia errar, mas foi um prazer. Achava que esse livro tinha seu lugar no espaço cultural francês".

A principal dificuldade enfrentada por Paula Anacaona foi o regionalismo de Fogo Morto, que se passa no início do século 20 e fala de decadência dos senhores de engenho do Nordeste, e além da multidão de personagens. Ela tomou inclusive a liberdade de ignorar alguns nomes citados uma única vez: "Não é que eu deixei de lado alguns personagens. Eu apaguei pequenas referências de nomes que nunca voltam, que não têm fala. Pequenas coisas que, para mim, criam confusão ao romance que já é complicado".

"Crépuscules" é o segundo romance do paraibano José Lins do Rego (1901-1957) que a editora Anacaona publica. O primeiro foi "Menino do Engenho" com o título "L'Enfant de la plantation".

O público francês se interessa por esses clássicos da literatura brasileira? Paula Anacaona diz que apenas “os leitores adultos, com mais de 50 anos, apreciam essa literatura clássica, bem escrita”. Anne Lima avalia que "há ainda muito a se fazer para conquistar leitores e livreiros que têm tendência a escolher o que já conhecem". Apesar das dificuldades, as duas vão continuar a editar e a defender na França romances que gostam.

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