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Brasil

Brasileiros saem às ruas para exigir investigações contra políticos

Ruas do Rio de Janeiro foram tomadas por manifestantes na manhã deste domingo
Ruas do Rio de Janeiro foram tomadas por manifestantes na manhã deste domingo REUTERS/Ricardo Moraes

Milhares de brasileiros voltaram às ruas neste domingo (26) para protestar contra a corrupção e denunciar as manobras que procuram colocar centenas de políticos corruptos à salvo da justiça. As principais manifestações foram registradas pela manhã em Brasília e no Rio de Janeiro, antes de prosseguirem à tarde em São Paulo.

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Com as palavras de ordem "Fim da impunidade" e "Renovação política", os participantes reclamam o fim do foro privilegiado para ministros e congressistas e criticam as tentativas de anistiar as doações não declaradas a campanhas eleitorais, que canalizaram milionários desvios de dinheiro público. Os grupos que convocaram os atos tiveram papel determinante no impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2016, mas a campanha de moralização da vida pública se choca com o governo do presidente sucessor, Michel Temer.

Calcula-se que centenas de políticos – e muitos ministros – figuram nos pedidos de denúncia enviados este mês ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com base nas delações premiadas de 77 executivos da construtora Odebrecht.

Divididos sobre a política, mas unidos contra a corrupção

Os manifestantes possuem divisões ideológica entre si, mas parecem afinados na defesa da Operação Lava Jato e de seu promotor, o juiz Sérgio Moro, que há três anos revelou um complexo esquema de corrupção envolvendo a Petrobras. "A Lava Jato é um patrimônio nosso", afirmou uma das pessoas que discursou em um carro de som da organização Vem Pra Rua (VPR) na praia de Copacabana. "Os políticos estão apavorados", acrescenta. "Estamos aqui para manter a indignação viva", declarou à AFP Adriana Balthazar, designer de moda e coordenadora do VPR no Rio.

Em outras ocasiões, a pressão das ruas ou nas redes sociais obrigaram Temer a frear projetos de anistia de financiamentos ilegais de campanhas eleitorais. Agora os manifestantes esperam que aconteça o mesmo com projetos como o de organizar as eleições de 2018 com um sistema de listas fechadas, que permitiria aos políticos denunciados serem reeleitos sem fazer campanha em nome próprio, ganhando assim um novo mandato de imunidade parlamentar.

Brancos, vindos de bairros nobres

De acordo com as agências de notíticas, a maioria dos manifestantes eram brancos, vindos dos bairros nobres, e usavam camisetas da Seleção brasileira. Bem diferente do vermelho, símbolo dos movimentos sindicais, mobilizados há duas semanas contra a reforma da aposentadoria lançada pelo presidente Michel Temer. 

A mobilização deste domingo, no entanto, não alcançou o mesmo volume que em 2015-2016. Alguns analistas afirmam que os brasileiros, atingidos por mais de dois anos de recessão econômica, começam a dar sinais de cansaço ante a interminável repetição de escândalos.

O mais recente deles foi o reveleção da rede de propinas pagas pelos principais frigoríficos do país a inspetores sanitários para vender carne com data vencida, afetando as exportações do país que é uma potência agropecuária.

(Com informações da AFP)

 

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