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Brasileiro ganha prêmio internacional por estudos sobre amamentação

Áudio 06:50
O epidemiologista Cesar Victora é o primeiro brasileiro a ganhar o prêmio Gairdner
O epidemiologista Cesar Victora é o primeiro brasileiro a ganhar o prêmio Gairdner Di/ UFPel

O epidemiologista Cesar Victora, professor emérito da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, foi recompensado com o prêmio canadense Gairdner, uma das honrarias mais respeitadas na área de saúde no mundo.

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Victora foi selecionado para o Gairdner por causa de um trabalho sobre a importância da amamentação realizado na década de 1980 nas cidades de Porto Alegre e Pelotas. “O prêmio é concedido muitos anos após a realização da pesquisa porque os organizadores esperam para ver qual o impacto do estudo sobre a saúde global”, explica o professor.

“Nós comprovamos que a criança que é amamentada exclusivamente até os seis meses de vida, sem receber nenhum outro tipo de alimento durante esse período, tem o risco muito menor de morrer devido a uma série de doenças, particularmente a diarreia e as infecções gastrointestinais”, conta o epidemiologista. Os resultados transformaram o Brasil numa referência sobre o tema e, “a partir dos anos 1990, a Unicef e a Organização Mundial de Saúde passaram a recomendar o aleitamento exclusivo no primeiro semestre de vida e isso foi adotado pela maioria dos países do mundo”, celebra o brasileiro.

Crianças amamentadas têm chance de ganhar mais ao se tornarem adultos

As pesquisas de Victora também ajudaram a comprovar que o leite materno estimula o cérebro. “Nós fizemos um estudo, publicado no ano passado, mostrando que as crianças amamentadas têm mais inteligência, mais escolaridade e inclusive uma renda maior aos 30 anos do que crianças dos mesmos grupos sociais, mas que não foram amamentadas”, revela.

O professor espera que o prêmio, que é concedido pela primeira vez a um pesquisador do Brasil, incentive o investimento dos projetos científicos. “A pesquisa da área de saúde teve um grande aporte do Governo Federal nos últimos 15 anos, 20 anos. Mas atualmente, com o país em crise econômica e um governo que está preferindo investir em outras áreas, o financiamento da pesquisa está seriamente comprometido. Eu espero que, mostrando que a pesquisa brasileira é competitiva em nível mundial, nós consigamos sensibilizar as autoridades para que continuem e aumentem os investimentos na pesquisa científica”, conclui o epidemiologista.

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