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Pedido de suspensão de inquérito no STF é última cartada de Temer, diz Le Monde

O presidente brasileiro Michel Temer em seu pronunciamento à Nação, no sábado 20 de maio de 2017.
O presidente brasileiro Michel Temer em seu pronunciamento à Nação, no sábado 20 de maio de 2017. REUTERS/Ueslei Marcelino

A imprensa francesa deste domingo (21) está de olho no Brasil e nas manifestações populares pela renúncia do presidente Temer. A rádio publica France Info, uma das mais importantes do país, informa desde o início da manhã que depois da Venezuela no sábado (20), hoje "é dia dos brasileiros irem em massa às ruas contra seu presidente, acusado de corrupção". O jornal Le Monde publica em seu site um artigo sobre o pronunciamento à Nação de Temer e avalia que "o presidente jogou provavelmente sua última cartada ao pedir a suspensão do inquérito contra ele no STF".

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Antes dos protestos convocados por partidos de esquerda, sindicatos e organizações da sociedade civil em todo o país, Temer parte para a ofensiva e tenta salvar seu cargo, estima a imprensa francesa. Para exigir a suspensão das investigações no Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva, obstrução da Justiça e formação de organização criminosa, ele alega que a gravação feita pelo dono da JBS, Joesley Batista, foi manipulada ou modificada. O áudio, revelado pela Rede Globo na última quarta-feira (17), é na opinião do presidente "um crime perfeito", diz o Le Monde.

A correspondente do jornal no Brasil, Claire Gatinois, escreve que Temer já é considerado morto politicamente por uma boa parte da classe política em Brasília. O cientista político Antônio Carvalho Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas, ouvido pelo jornal acredita que Temer tenta ganhar tempo, mas que seus dias como presidente do Brasil estão contados. Carlos Melo, professor de ciências políticas, acha que, independentemente do final dessa crise, o mal já está feito.

Temer perde aliados

Segundo o artigo, "o mar de lama que percorre o país em apenas alguns dias incita os ex-aliados de Temer, do PMDB, a se distanciar dele". O PSB já pediu a demissão de Temer no sábado, enquanto que o PSDB hesita, afirma Gatinois. Vários deputados entraram com um pedido de impeachment e muitos deles já abandonaram o presidente "moribundo". Até o site do Congresso dá com manchete: "Temer perdeu a capacidade de governar". Sem maioria, o presidente não poderá continuar as reformas impopulares que defende, explica o Le Monde.

A participação nas manifestações deste domingo vai indicar o nível de descontentamento da população e pode encurralar ainda mais o presidente, estima a AFP. O suspense pode durar até a próxima quarta-feira (24), quando o STF analisa o pedido de suspensão do inquérito feito por Temer.

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