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Parceria de petrolífera francesa com a Petrobras ameaça Amazônia, diz Greenpeace

Uma das primeiras imagens dos Corais da Amazônia, bioma único revelado ao mundo em 2016 e ameaçado pelas perfurações,  foi feita pelo submarino lançado pelo navio Esperanza, do Greenpeace.
Uma das primeiras imagens dos Corais da Amazônia, bioma único revelado ao mundo em 2016 e ameaçado pelas perfurações, foi feita pelo submarino lançado pelo navio Esperanza, do Greenpeace. @greenpeace

Um novo relatório do Greenpeace publicado nesta quarta-feira (24) considera um “risco inaceitável” o projeto da empresa francesa Total de realizar perfurações de petróleo na foz da bacia do Rio Amazonas, no norte do Brasil.

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Segundo o Greenpeace, o Brasil está “na mira da Total”, petrolífera francesa que possui, segundo a entidade, um faturamento anual de US$ 150 bilhões. A ONG denuncia ainda que o país se tornou “alvo” de novos negócios da companhia, que antes concentrava suas atividades na África.

Greenpeace afirma no documento que a Total assinou uma parceria estratégica de US$ 2,2 bilhões com a Petrobras em 19 projetos de exploração e produção de petróleo. Um desses projetos, na costa norte do Brasil, chamou particularmente a atenção da entidade por ser uma região que abriga uma rica biodiversidade de ecossistemas: a floresta tropical, os manguezais e um novo bioma ainda pouco conhecido pela ciência – os Corais da Amazônia – na foz do rio Amazonas. Segundo o relatório, este ecossistema foi revelado ao mundo apenas em 2016, mas “já se encontra ameaçado por um projeto de perfuração de petróleo arriscado da Total” em suas proximidades.

Militantes do Greenpeace protestam contra porjeto no litoral norte do Brasil, em 27 de março de 2017.
Militantes do Greenpeace protestam contra porjeto no litoral norte do Brasil, em 27 de março de 2017. AFP/Jacques Demarthon

Perfurações podem começar nos próximos meses

Segundo o documento divulgado pelo Greenpeace, a empresa Total comprou o direito de explorar cinco blocos próximos ao estuário da foz do Rio Amazonas, uma área cujas reservas de petróleo são estimadas em 14 milhões de barris. Neste contexto, a companhia francesa se apresenta como especialista em perfurações ultra profundas e pretende “colocar esta especialidade em prática no Brasil”.

No entanto, a proximidade com o bioma único dos Corais da Amazônia torna a empreitada de alto risco. O ecossistema, que se encontra onde o Rio Amazonas encontra o Oceano Atlântico, é um enorme recife feito de corais, esponjas e rodolitos (algas calcárias), que dominam uma extensão de mais de 9,5 mil km², entre a Guiana Francesa e o estado do Maranhão. Trata-se, segundo o Greenpeace, de um “bioma único, um novo bioma marinho, com sua própria biodiversidade, microclima e geografia”. O relatório da entidade acusa, no entanto, que “o poço mais próximo a ser perfurado está localizado a apenas 28 km dos Corais da Amazônia”, denuncia.

Além disso, o documento mostra que um dos blocos de exploração está localizado a cerca de 100 km da costa brasileira, em frente a uma região que possui 15 áreas protegidas, “em particular o Parque Nacional de Cabo Orange”. O parque é habitat natural de espécies protegidas como a tartaruga-verde, o peixe-boi e a onça pintada, além do maior manguezal do mundo.

Greenpeace alerta com ênfase sobre o risco deste tipo de tecnologia, que já provocou acidentes irreparáveis com óleo no Golfo do México, como o incidente com a plataforma Deepwater Horizon, da companhia britânica BP, que resultou em um vazamento de 4,9 milhões de barris de petróleo no mar, contaminando o litoral de diversos países.

Entre as potenciais consequências deste tipo de desastre, Greenpeace denuncia que “um derramamento de óleo na região poderá ter um impacto irreversível sobre os Corais da Amazônia”, causando a morte de centenas de espécies locais e únicas, além de ameaçar a sobrevivência das populações nativas, “cuja sobrevivência depende do oceano, dos rios e de vias navegáveis”.

Clique aqui para assistir o vídeo produzido pelo Greenpeace em defesa dos Corais da Amazônia:

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