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Dez anos depois, UPP "não faz diferença" para moradores de favelas no Rio

Áudio 06:52
A cientista social Silvia Ramos, coordenadora do CESeC
A cientista social Silvia Ramos, coordenadora do CESeC Claudia Ferreira

Faz 10 anos que as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) foram implantadas em favelas do Rio de Janeiro. O CESeC (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes) divulgou a quarta e última rodada da pesquisa sobre o projeto. Foram entrevistados 2.479 moradores de 118 comunidades de 37 territórios da cidade.

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Os resultados apontaram que entre 55% e 68% consideram que que a presença da UPP "não faz diferença". Para a cientista social Silvia Ramos, uma das autoras do estudo, esse dado foi surpreendente.

“Olhando de fora temos sempre a impressão de que a experiência das UPPs foi algo definitivo para os moradores da favela, tanto para o bem como para o mal. Ou porque trouxe muita segurança em um certo momento ou porque os moradores detestam a polícia e aquela presença era vista como muito hostil”, analisa.

“Porém uma parte expressiva considera a UPP um serviço público como outro qualquer, que não está sendo bem prestado, que não é de boa qualidade, mas que não afeta tanto o cotidiano como nós imaginávamos. ”

Aspecto sensível

O conceito de polícia de proximidade, segundo o estudo, parece ser abafado pelas revistas corporais, a maioria em homens jovens e negros, e também por humilhações.

Para Silvia, “esse é um dos aspectos mais sensíveis da pesquisa”. “Verificamos que os moradores que são mais vezes abordados pela polícia, que têm as casas revistadas, são os mais reativos e os mais críticos à experiência. O que a gente observa é que aquele policial que ia realizar o trabalho comunitário e manter o diálogo com os moradores se transformou naquele policial ostensivo, hostil e que trata morador da favela, principalmente o jovem negro, praticamente como um inimigo”, explica.

Ela lembra que, “antigamente, o jovem era abordado quando saía da favela e transitava por um bairro de classe média alta do Rio de Janeiro”.

“Agora ele é abordado quando chega em casa e ao sair de casa. E essas experiências repetitivas, de desrespeito e muitas vezes de humilhação, são vividas como experiências de inimizade e de hostilidade. E isso produz sentimentos muito negativos. ”

Outro ponto relevante da pesquisa é a diferença de opinião de moradores brancos e negros.

“Nos extremos, vemos uma diferença acentuada de opiniões principalmente entre jovens negros e idosos brancos. Os moradores com mais de 60 anos tendem a ter uma opinião bastante favorável sobre a polícia, e os moradores de menos de 29 anos avaliam de forma muito crítica e muito negativa a experiência com a polícia e as perspectivas em relação ao futuro.”

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