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"Não é normal que o Brasil continue socialmente tão desigual”, dizem autores de Atlas

Áudio 11:50
O casal de geógrafos Neli Aparecida de Mello Théry e Hervé Théry
O casal de geógrafos Neli Aparecida de Mello Théry e Hervé Théry RFI

Professores da USP lançam, em fevereiro, a terceira edição do Atlas do Brasil, Disparidades e Dinâmicas do Território, que aponta melhoras, mas confirma a alarmante desigualdade social brasileira.

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Obra de referência para o estudo da geografia brasileira desde 2003, quando foi lançado, pela primeira vez, na França, o Atlas do Brasil, de Neli Aparecida de Mello Théry e Hervé Théry, traça um perfil do Brasil contemporâneo que cobre, muito além da geografia, os fenômenos sociais e econômicos que transformam o país ano a ano.

“O nosso Atlas é um ensaio. É muito mais que uma coleção de mapas, embora nós baseemos toda a nossa argumentação nos mapas que nos servem para mostrar a dinâmica do território brasileiro e a manutenção ou evolução das disparidades nesse território”, explica a professora Neli Théry.

O efeito Bolsa Família

Na nova edição do Atlas, atualizada até o início do governo Temer, dois elementos transformadores chamam a atenção. O primeiro é consequência das políticas especificamente territoriais, como a construção de infraestrutura rodoviária e habitacional, alcançando pontos remotos do país. O segundo se trata de um fenômeno de transformação social alavancado pelo programa de assistência social Bolsa Família.

“O Bolsa Família não tem um foco regional. Mas, como o programa tem critérios de renda e escolaridade, ele acabou concentrando os seus efeitos no Nordeste. O Atlas mostra, então, esses efeitos territoriais de transformações voluntárias e involuntárias das políticas públicas. Assim, fica claro que esses últimos treze anos, desde a primeira edição do livro, foram realmente significativos”, diz o Hervé Théry.

País cresceu para o interior

“O que também chama a atenção”, completa Neli Théry, “é o processo de interiorização do Brasil. A região Centro-Oeste e a Amazônia mudaram muito. A pecuária, por exemplo, já chegou à margem norte do rio Amazonas. A soja já é plantada dentro do que nós chamávamos de Floresta Amazônica. O Brasil avançou do litoral para o interior. Nisso, há boas novas também: hoje, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) pode, em alguns pontos do interior, ser comparado ao IDH da região Sudeste”.

Por outro lado, apesar dos avanços, o Brasil continua a ser um país de gritantes desigualdades sociais, claramente apontadas nos mapas do livro.

“O Brasil ainda é um dos países mais socialmente desiguais do mundo. Há um abismo entre os mais ricos e os mais pobres. Melhorou um pouco nos últimos anos, é verdade, mas continua a não ser normal. Não deveria ser assim”, conclui o professor Hervé Théry.

Atlas do Brasil, Disparidades e Dinâmicas do Território, de Neli Aparecida de Mello Théry e Hervé Théry. São Paulo: EDUSP, 2018 (3a edição). Disponível, no Brasil, a partir de fevereiro.

Clique no box abaixo para assistir à entrevista completa dos professores Neli Aparecida de Mello Théry e Hervé Théry.

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