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Filme compara utopia de Ford com destruição da Amazônia pela soja

Áudio 07:42
O pesquisador Marcos Colón, diretor do documentário "Beyond Fordlândia".
O pesquisador Marcos Colón, diretor do documentário "Beyond Fordlândia". Foto: Paloma Varón

“Beyond Fordlândia” é um documentário premiado do brasileiro Marcos Colón, pesquisador do Centro de Cultura, História e Meio Ambiente do Instituto Nelson de Estudos Ambientais, da universidade de Wisconsin. Ele foi exibido em Paris nesta quarta-feira (24).

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Colón explica que a inspiração veio de sua tese de doutorado, a partir de um livro de Mario de Andrade, “O Turista Aprendiz”, sobre uma expedição etnográfica do escritor à Amazônia em 1927. Para Colón, o que mais sobressai na obra “é a sensibilidade do autor de querer capturar um momento, de querer entender uma região etnograficamente”. Ele acrescenta que “Mario de Andrade teve uma preocupação importante em ver, sentir e olhar o Brasil”.

Um dos objetivos do filme, explica o diretor, é mostrar a situação hoje da Amazônia e da população local. O título “Beyond Fordlândia” remete a um projeto do americano Henry Ford, pioneiro da indústria automobilística, que comprou uma vasta área de terras no Pará, com o intuito de produzir látex, imprescindível para a confecção de pneus de borracha. Apesar de o escritor modernista apenas mencionar a Fordlândia no livro de 1927, Colón decidiu conhecer o projeto utópico do magnata, noventa anos depois.

Empreendimentos destruidores

Ford ficou na região de 1927 a 1944 e acabou abandonando a região quando viu que seu projeto não era viável e nem rentável. “Foi a primeira tentativa de implantar um projeto industrial de larga escala na Amazônia”, diz o diretor.  

Diante do desmantelo atual da região, Colón observou que a tentativa frustrada de Ford em tentar dominar o espaço e geografia, sem respeitar os limites ambientais e humanos, tem repercussões até hoje. “Podemos observar outros empreendimentos com as mesmas características de monocultura, de exploração e desrespeito do ambiente, do espaço amazônico e principalmente do legado do homem amazônico”. Segundo o diretor pesquisador, a semente deixada por Ford, dormente até então, volta agora com uma incrível força destruidora na figura da soja.

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