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RFI Convida

Aplicativo brasileiro de reciclagem que conecta catadores e população é premiado em Paris

Áudio 07:12
Mundano e Breno Castro Alves, da ONG Pimp My Carroça, criadores do aplicativo Cataki.
Mundano e Breno Castro Alves, da ONG Pimp My Carroça, criadores do aplicativo Cataki. RFI

Eles criaram o Cataki, aplicativo premiado recentemente na 11ª edição da Netexplo, evento co-promovido pela Unesco, em Paris. A ferramenta liga pessoas que desejam doar resíduos para reciclagem e catadores que trabalham na vizinhança. O RFI Convida nesta quarta-feira (14) Breno Castro Alves e Mundano, da ONG Pimp My Carroça.

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(Para assistir a entrevista na íntegra, clique no vídeo abaixo)

O aplicativo Cataki já é chamado do Tinder para coleta de recicláveis. Nas versões futuras, as pessoas poderão publicar uma foto do material que desejam eliminar e os catadores poderão aceitar ou rejeitar o pedido deslizando para a esquerda ou para a direita, como no famoso aplicativo de paquera, famoso em todo o mundo. Suas origens, no entanto, são essencialmente brasileiras, como explica Mundano, um de seus criadores.

“Essa história começa lá atrás. A ONG Pimp My Carroça que ajuda catadores, que luta pelo direito dessas pessoas que prestam serviços não só pra sociedade, mas para o planeta, começou a melhorar a ferramenta de trabalho deles, para dar reconhecimento e visibilidade, e isso fez a gente se tornar uma referência”, conta o grafiteiro e ativista.

“No Brasil não é como na França, não existe uma coleta seletiva, uma infraestrutura para reciclagem pra valer do poder público, as pessoas que queriam reciclar precisavam procurar catadores. Por sermos referência, elas pediam indicações e nós fazíamos isso manualmente, há quatro anos atrás. Foi ali que surgiu essa ideia, que foi amadurecendo até conseguirmos recursos e lançarmos o aplicativo ano passado. Foi um trabalho que veio de baixo, de uma demanda já existente. Tivemos o desafio de tornar o aplicativo mais simples para esse público que, normalmente, está em situação de vulnerabilidade nas ruas”, relata.

Tecnologia para enfrentar desafios urbanos e romper barreiras sociais

“A tecnologia é uma ferramenta que serve principalmente para a troca de informação. Essa tecnologia digital capaz de trocar conteúdo e dados a um custo muito baixo, quase zero, isso permite interações que antes não aconteciam”, analisa Breno Castro Alves. “Isso permite que pessoas distantes, ou em classes sociais diferente se encontrem. Quando a gente brinca com a analogia com o Tinder, que promove o ‘match’, o encontro, o Cataki promove o encontro entre populações que normalmente não conversariam, não teriam essa abertura de se olhar e se enxergar como seres humanos. Os dois lados [catadores e população] se olham com preconceito na rua. O Cataki permite mais contato, ele permite uma integração maior”, afirma.

O aplicativo, premiado pela Unesco em Paris, foi desenvolvido com um custo relativamente baixo, cerca de € 40 mil. “O Cataki tem seis meses de vida, foi lançado em julho de 2017. Até aqui temos 300 catadores cadastrados no Brasil, de 38 cidades diferentes, principalmente São Paulo, Recife e Rio de Janeiro. Temos cinco mil downloads e zero reais investidos em marketing e publicidade”, diz Breno. “O nosso caminho não é de comprar espaço em mídia, o alcance cresce organicamente, não estamos falando de um projeto comercial. A inscrição desse projeto na Netexplo é um exemplo disso, foi alguém da Universidade Técnica de Madri que inscreveu o aplicativo nesse prêmio, alguém que a gente nem conhece”, conta.

Mundano, que há alguns anos atrás desenvolveu um projeto de grafite nas carroças dos catadores, visando quebrar a invisibilidade social destes profissionais, iniciativa copiada em 12 países, diz que o estigma ainda é grande no Brasil contra a classe. “Estamos profissionalizando os catadores, é um trabalho marginalizado, assim como o grafite é uma arte marginalizada, e por isso aconteceu esse encontro natural há 11 anos atrás. Hoje o grafite, a arte urbana, a street art deixaram para trás um pouco este estigma e invadem museus e galerias de arte”, afirma. 

Ao contrário de outras ferramentas online, o Cataki não tem fins lucrativos, e todo recurso é reinvestido no desenvolvimento do aplicativo e também para gerar renda para os catadores.

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