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Eleições/Brasil

Bolsonaro é conhecido por suas frases agressivas, vulgares, racistas, misóginas e homofóbicas, diz Le Monde

Jair Bolsonaro, candidato às eleições presidenciais brasileiras. 05 de Setembro de 2018.
Jair Bolsonaro, candidato às eleições presidenciais brasileiras. 05 de Setembro de 2018. EVARISTO SA / AFP

“Brasil, a extrema-direita às portas do poder” é a manchete do vespertino francês Le Monde desta sexta-feira (5), que traz uma matéria de três páginas sobre Bolsonaro. “O candidato, conhecido por suas tiradas racistas e homofóbicas, ganha espaço graças à exasperação da população face à violência e à corrução”, diz o jornal.

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A correspondente do Le Monde em São Paulo, Claire Gatinois, traça um perfil do candidato do PSL em que o classifica como um nostálgico da ditadura militar e diz que ele encarna o descontentamento de um país esgotado pelos escândalos de corrupção e pela crise econômica.

Ao citar a homenagem que o candidato, então deputado federal, fez ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um torturador da ditadura militar de 1964-85, na sessão que votou pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2016, o perfil escrito por Gatinois o descreve como “um homem ávido por notoriedade e por polêmicas, zombado por ser inculto e conhecido por suas frases agressivas, vulgares, racistas, misóginas e homofóbicas”.

Em seguida, a jornalista cita algumas das falas mais célebres de Bolsonaro, como “O erro da ditadura foi torturar e não matar” ou “Eu não te estupro porque você não merece”, dirigida à colega deputada Maria do Rosário (PT), entre outras.

Sobre os apoiadores de Bolsonaro, o texto cita os evangélicos, as forças de ordem (“às quais ele promete a anistia de seus crimes”) e diz que o candidato é a “coqueluche dos fazendeiros, a quem ele promete liberar o porte de armas e autorizar o uso indiscriminado de pesticidas”.

Mercado financeiro

Segundo o jornal, o discurso ultraliberal em matéria de economia de seu conselheiro Paulo Guedes seduz tanto os influentes das igrejas evangélicas quando o mercado financeiro.

Paulo Guedes é apresentado como “um economista ultraliberal, um ‘Chicago Boy’ anti-Estado e adepto das privatizações em larga escala, o que permitiu aos militares, antes nacionalistas, conseguirem a adesão dos mercados”.

Em outra página do mesmo jornal, o repórter Nicolas Bourcier, enviado especial ao Rio de Janeiro, entrevista evangélicos neopentecostais da favela Varginha, que recebeu a visita do Papa Francisco em 2013, mas que tem maioria de evangélicos (são 55% no Estado do Rio). Ele entrevista Irene Silva, que diz ter votado em Lula em 2002 e 2006, mas agora vai votar em Bolsonaro “porque o pastor indicou”.

A matéria cita o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da Rede Record, a segunda emissora do país, como pertencente à franja mais conservadora da direita brasileira e apoiador de Bolsonaro.

“Unidade evangélica”

Atribui-se a ida às preces de domingo o recente aumento da rejeição de Fernando Haddad (PT), que subiu dez pontos percentuais, e o aumento das intenções de voto em Bolsonaro, diz o jornal. O candidato de extrema-direita também recebeu o apoio do pastor Silas Malafaia, chefe espiritual da Assembleia de Deus, a igreja de Irene.

O deputado articulou a sua candidatura à presidência como sendo “o candidato da unidade evangélica” e vem colhendo os frutos, com a influência de pastores em todo o Brasil sobre os seus fiéis e a recomendação estrita no voto ao candidato do PSL.

Segundo o jornal francês, os evangélicos representam 1/3 da população brasileira e 48% deles dizem apoiar Bolsonaro contra 18% de apoio a Haddad.

“Os erros da esquerda e do PT foram muitos. Falar da família para a esquerda é visto como conservador, deixando o tema para a direita. É verdade que o PT fez políticas sociais, mas o partido se distanciou culturalmente dos pobres”, declarou ao jornal francês o pastor evangélico Henrique Vieira, ex-vereador de esquerda.

“O executivo virou o alvo dos grupos evangélicos, que antes tinham como estratégia ocupar as câmaras de deputados estaduais e federais”, explica ao Le Monde o professor, teólogo e pastor carioca Valdemir Figueiredo.

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