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Brasileiros abandonam a alegria e cedem ao ódio nas eleições, diz Le Figaro

Para jornal Le Figaro, eleitores brasileiros cederam ao ódio durante as eleições "mais polarizadas" da história do país
Para jornal Le Figaro, eleitores brasileiros cederam ao ódio durante as eleições "mais polarizadas" da história do país REUTERS/Ueslei Marcelino

“Por onde anda a lendária alegria de viver dos brasileiros? A palavra do momento é o ódio. Contra os políticos, a corrupção, a violência. Uns contra os outros”, diz a reportagem do jornal francês Le Figaro deste sábado (6). A matéria lembra que essa é uma das eleições mais violentas da história do país, que saiu de uma ditadura em 1985.

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O medo do retorno dos “anos de chumbo” ronda o Brasil com a possível eleição do candidato à presidência Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL), diz o texto, assinado pelo jornalista Michel Leclercq. “O capitão não parou de subir nas pesquisas nos últimos dias, apesar de sua fama de machista, homofóbico e racista”, afirma.

A reportagem lembra que os dois favoritos ao segundo turno, Bolsonaro e o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) Fernando Haddad, são “os mais rejeitados”. Além de dar destaque ao movimento #Elenão, mobilizado sobretudo por mulheres, “num país recorde de violências de gênero”.

Bolsonaro e Haddad representam polarização nacional

O clima de rixa que assola o país é representado pelos dois candidatos com maioria dos votos segundo as sondagens: Bolsonaro, de um lado, e Haddad, do outro, herdeiro de Lula, que teve sua candidatura da prisão impedida. “Duas personalidades de dois extremos, Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, marcaram a campanha. Com um único ponto em comum: polarizar o eleitorado sem ter saído nas ruas. Bolsonaro porque foi atacado (...) e Lula por estar na prisão”.

Para o Le Figaro, os brasileiros se sentem “abandonados” por um Estado incapaz de enfrentar a criminalidade. “A violência fez cerca de 64.000 vítimas no ano passado. (...) No começo da semana, um intenso tiroteio ocorreu no bairro de Copacabana, a dois passos da famosa praia, assustando moradores e turistas”, diz o texto.

Bolsonaro ficou mais conhecido por sua atitude que por seu legado legislativo

Nesse clima caótico, Bolsonaro seduz “propondo respostas simplistas”, como o porte de armas ou a impunidade para os policiais. “Para ele, ‘bandido bom é bandido morto’”, ressalta Leclercq. O jornalista também lembra que o candidato do PSL contou com o apoio dos lobbies dos evangélicos, do agronegócio e das armas – a bancada BBB (bala, boi e bíblia).

“Suas ideias extremistas, seu discurso agressivo, seduzem vários brasileiros cansados da corrupção e da violência. Mas assusta uma boa parte também. Sobretudo brasileiras, que não perdoam sua misoginia proclamada”, declara o repórter.

A reportagem afirma que o legado legislativo de Bolsonaro não marcou o Congresso, mas foi seu temperamento explosivo e seus violentos ataques pessoais que o fizeram popular no Brasil. “O candidato mostra hoje convicções liberais, apesar de ter sempre defendido um Estado forte. Ele assume, entretanto, sua ignorância total em economia”.

O texto conclui lembrando que três dos quatro filhos de Bolsonaro, “que ele chama por códigos militares, 01, 02 e 03”, também se inseriram na política. “Ele se esquece sempre de sua filha mais jovem, fruto, ele diz, ‘de uma pequena fraqueza’ durante a concepção”, finaliza o jornalista.

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