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Brasil

Barbie Fascionista é "caricatura do eleitor de Bolsonaro", diz Le Monde

Reprodução da matéria publicada no jornal Le Monde nesta quarta-feira sobre o fenômeno da "Barbie Fascionista" nas redes sociais.
Reprodução da matéria publicada no jornal Le Monde nesta quarta-feira sobre o fenômeno da "Barbie Fascionista" nas redes sociais. Reprodução/Le Monde

"No Brasil, a Barbie vota para a extrema-direita" é a manchete de uma matéria publicada pelo jornal francês Le Monde desta quarta-feira (24). O jornal explica que, nas redes sociais, os memes com a boneca representando a elite branca brasileira tornaram a personagem "a caricatura do eleitor de Jair Bolsonaro".

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A correspondente do jornal Le Monde em São Paulo, Claire Gatinois, escreve que a popularidade do candidato do PSL à presidência, famoso por suas declarações racistas, homofóbicas e misóginas, assusta mas também faz rir uma parte do país. "Desde os meados de novembro, as redes sociais foram inundadas por memes representando as brasileiras loiras, magras, com dentes brancos e seios empinados: a Barbie Fascista", também chamada de "Barbie de bem" destaca a matéria.

No Instagram, a pedidos da Mattel, fabricante da boneca, a personagem passou a se chamar "Barbie Fascionista". Apresentada como uma blogueira anti-esquerda caviar, com mais de 98 mil seguidores, "é a mais elaborada arte da zombaria", diz a matéria, que traduz algumas das frases que acompanham as fotos. "O país na beira do caos e vocês reclamando de racismo, machismo e homofobia?", declara a Barbie Fascionista em uma galeria de arte, segurando o cachorro de estimação. "Você acha que a cor de pele importa? Somos todos iguais, todos seres humanos", diz a boneca ao lado do companheiro Ken, branco e loiro.

Em um dos posts, a personagem explica sua trajetória de "guerreira": estágios de marketing na empresa do pai, viagem para acompanhar as fashion weeks com a mãe, antes de se tornar "digital influencer" e "coach lifestyle". "Tudo o que tenho, foi graças à força de meu trabalho", conclui.

Burguesia ávida de meritocracia

Para Le Monde, a personagem é uma "alusão à burguesia brasileira ávida de meritocracia que critica a política de cotas colocada em prática pelo Partido dos Trabalhadores para ajudar os mais desfavorecidos". A referência à "ameaça comunista", o perigo evocado pelos eleitores conservadores de que o Brasil se transforme em uma Venezuela, no caso de a esquerda vencer as eleições, é outra cena evocada pela Barbie Fascionista.

O jornal ressalta que os episódios retratados pelos memes foram inspirados em verdadeiras blogueiras de moda brasileiras, que se declararam pró-Bolsonaro. Outros episódios foram baseados em declarações comuns nos bairros ou boates chiques do Brasil.

Muito além do humor, para Le Monde, a Barbie Fascionista ressalta a crueldade de parte dos brasileiros que não ousam querer enxergar o racismo, a homofobia e o machismo. Entretanto, para o jornal, a boneca loira de olhos azuis perde um pouco o sentido quando Bolsonaro seduz também um eleitorado mais modesto, negro e mestiço, que "esquecendo os excessos do militar, veem nele um homem que pode até mesmo restaurar a ordem de um país à beira do abismo".

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