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Ainda há muitas dúvidas sobre futuro do Brasil com Bolsonaro, avaliam especialistas

Jair Bolsonaro foi eleito com mais de 55% dos votos no segundo turno da eleição presidencial no Brasil.
Jair Bolsonaro foi eleito com mais de 55% dos votos no segundo turno da eleição presidencial no Brasil. Reuters/路透社

A eleição de Jair Bolsonaro representa de fato um risco para a democracia brasileira? O novo presidente terá meios para fazer suas reformas com o novo Congresso? Qual o impacto da derrota das urnas para o Partido dos Trabalhadores (PT) e o futuro político de Fernando Haddad? Essas foram algumas das questões abordadas pelas RFI Brasil com Juliette Dumont, professora de História do Instituto de Altos Estudos da América Latina (Iheal) e presidente da Associação para a Pesquisa sobre o Brasil na Europa (Arbre), e  Alfredo Valladão, cientista político da Sciences Po, o Instituto de Estudos Políticos de Paris.

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“A divisão do Brasil veio da rejeição. Não apenas dos votos nulos. Uma boa parte dos eleitores de Bolsonaro votaram contra o PT e boa parte dos que votaram no Fernando Haddad que não são petistas votaram contra Bolsonaro”, avaliou Alfredo Valladão sobre o resultado das urnas.

“Temos uma situação de exasperação da população com a violência, a economia, a corrupção. Pior ainda, Bolsonaro não apresentou nenhum programa sério. O programa do PT não era considerado factível. Estamos em uma espécie de nimbo. Ninguém sabe direito para onde vai”, avalia.  

Para o cientista político, uma coisa é certa: “Para que o Brasil seja governável, tanto o novo presidente vai precisar negociar com o Congresso, e portanto com parte da oposição, e a oposição vai ter que se mostrar responsável. Senão, podemos ir para um drama ainda maior. Estamos ainda em uma incerteza”.

A historiadora Juliette Dumont expressou receio sobre o futuro da democracia brasileira, que segundo ela já deu sinais de fragilidade nos últimos dois anos em ações tomadas pelo judiciário, executivo e legislativo.  “Esse candidato [Bolsonaro] saiu dos padrões da democracia. Primeiro, por rejeitar todo tipo de debate com o adversário. E qualificar o adversário como inimigo a ser eliminado também não faz parte da democracia”, avaliou.

“Vamos ver se ele vai endossar certas responsabilidades para seguir o padrão da democracia, que é o debate, o respeito ao adversário, ou vai seguir nessa via perigosa”, pondera.

Chamou atenção da historiada o discurso no qual o candidato derrotado, Haddad, falou muito em medo. “Ele disse  que estará ao lado das pessoas que têm medo. E não é um medo apenas visto pelos observadores internacionais. Tem um medo no Brasil, das pessoas que defendem a democracia e pertencem a certas minorias e intelectuais que são alvos de ataques”.  

O professor de Ciências Políticas avalia que o sentimento é compartilhado pelos eleitores dos dois candidatos, mas reforça a convicção nas instituições democráticas brasileiras.

“Há um medo grande mas ele é dos dois lados. O voto, tanto de um lado quando do outro foi de medo. Medo de volta da ditadura militar, de outro, de [se tornar] Venezuela, esse tipo de coisa. Acho que as instituições democráticas são mais fortes. Estamos vivendo o maior período democrático da história republicana do Brasil”, pondera.

Confira no vídeo abaixo, as opinião dos dois especialistas sobre o futuro do país com Jair Bolsonaro, eleito com mais de 55% dos votos dos brasileiros neste domingo (29).

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