Acessar o conteúdo principal
Eleições 2018/ Bolsonaro

Bolsonaro é o novo presidente do Brasil

Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente da República do Brasil em 28 de outubro de 2018.
Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente da República do Brasil em 28 de outubro de 2018. REUTERS/ Ricardo Moraes/Pool

Jair Bolsonaro, do PSL, foi eleito presidente do Brasil com mais de 57 milhões de votos, o que representa 55% do total. Assim o país volta a ter, 34 anos depois da saída de João Baptista Figueiredo, um presidente militar. O novo presidente discursou e citou a Bíblia como inspiração para sua gestão. Também prometeu cumprir a Constituição e reduzir gastos

Publicidade

Raquel Miúra, correspondente da RFI em Brasília

O resultado das urnas confirmou um crescimento de Fernando Haddad na reta final, mas sem que isso fosse suficiente para desbancar o favoritismo do ex-capitão do Exército que durante toda a campanha se apresentou como um nome antipetista.

Assim, pela primeira vez desde 2002, quando Lula foi eleito, o PT foi derrotado na corrida presidencial. Por outro lado, a exemplo de 2014, o resultado expõe uma sociedade dividida. O candidato do PT Fernando Haddad alcançou 44 % dos eleitores.

No discurso que fez pelas redes sociais assim que as urnas confirmaram sua vitória, Bolsonaro disse que vai se inspirar em grandes líderes e contar com uma equipe técnica para colocar o país num lugar de destaque: Temos tudo para sermos uma grande nação.

Bolsonaro reafirmou frases que marcaram sua campanha: "Não podíamos mais continuar flertando com o comunismo, com o socialismo, com o populismo", disse ele.

O militar afirmou que vai seguiar pela Constituição e pela Bíblia, que citou várias vezes também em todo o processo: "O nosso slogan eu fui buscar na Bíblia Sagrada – conhecereis a verdade e ela vos libertará. Teremos de nos acostumar a viver com a verdade, não existe outro caminho".

Discursos

O novo presidente também leu depois um discurso, prometendo cumprir promessas como a de um estado mais enxuto: "o Brasil dará um passo atrás na máquina pública, vamos cortar despesas".

Em muitas cidades do Brasil, apoiadadores de Bolsonaro comemoraram a vitória. Buzinas, gritos, apitos tomaram conta de vários pontos.

No outro lado, frustração entre os petistas, que chegaram a acreditar numa possibilidade de virada, com apoio nos últimos dias de intelectuais, artistas e uma militância maior nas ruas.

Num discurso em que reconheceu a derrota, Haddad se colocou como força de oposição ao governo eleito de Bolsonaro e falou da votação que conseguiu: "Nós tivemos 45 milhões de votos que precisam ser respeitados. São pessoas que pensam de um jeito diferente, que têm uma outra forma de pensar o país. São direitos civis, políticos, trabalhistas, sociais que estão em jogo neste momento. Nós temos uma tarefa enorme".

O PT, que no início insistiu em Lula, depois afastou a imagem do ex-presidente para ampliar a votação no segundo turno, não conseguiu no entanto forma uma ampla frente contra o candidato do PSL.

Dados do TSE mostram que muitos brasileiros não apoiaram nem um dos dois candidatos no segundo turno, mais de 40 milhões. Foram 30 milhões de abstenções, 21% do total de eleitores, além dos que votaram branco e nulo.

Novo governo

Analistas não acreditam num país unificado, pela polarização confirmada nas urnas. Mas falam no desafio de evitar um clima mais tenso nas ruas. Outra tarefa certa para Bolsonaro é na área econômica.

Ele chega já tendo de lidar com o Orçamento em votação no congresso e os gargalos fiscais: renúncias bilionárias de arrecadação, reajuste de servidores, rombo de R$ 150 bilhões nas contas. O subsídio ao óleo diesel, que resultou no fim da greve de caminhoneiros que chegou a parar o país este ano, vai até 31 de dezembro.

Para o economista e consultor financeiro André Perfeito, "não será fácil tirar do papel uma das principais promessas de campanha, a redução do imposto de renda. Bolsonaro pretende instituir alíquota única de 20% para pessoas físicas e jurídicas que ganhem acima de cinco salários mínimos, o que resultará em queda na arrecadação".

"Há muito o que fazer, economicamente. Não se pode abrir mão simplesmente de uma fonte. Será preciso equacionar primeiro as contas", afirmou o analista.
Ele também diz que o mercado espera que, já nos primeiros meses de mandato, o governo envie para o Congresso uma proposta para a reforma da previdência.

"Isso é crucial. Não terá impacto imediato, mas dá uma boa sinalização.
A equipe de transição terá acesso a dados, planilhas e poderá inclusive negociar o atual governo de Michel Temer a adoção de medidas para o ano que vem", completa.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.