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Imprensa

"O pesadelo se tornou realidade", diz Libération sobre eleição de Bolsonaro

Os jornais franceses detalham as principais medidas do futuro governo do Brasil.
Os jornais franceses detalham as principais medidas do futuro governo do Brasil. Reprodução

O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, continua ocupando as páginas dos principais jornais franceses nesta terça-feira (30).

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Em chamada de capa, Libération publica: "Bolsonaro, uma história de ódio". Para o jornal, "o pesadelo se tornou realidade no domingo: o maior país da América Latina elegeu um presidente de extrema direita, que nunca escondeu seu discurso de raiva e exclusão contra os militantes de esquerda, negros, mulheres ou da comunidade LGBT".

Libération traz um perfil de Bolsonaro, retraçando sua carreira na política. "Militar e nostálgico da ditadura, ele se revelou um parlamentar medíocre antes de começar a se aproveitar de programas televisivos para realizar ataques homóficos e racistas", escreve o diário. Após ter recebido pouco mais de 55% dos votos, no dia 1° de janeiro, "o Brasil vai assistir à passagem de poder de um corrupto que participou de um complô para depor a presidente Dilma Rousseff a um extremista que ostenta o desprezo pelas regras democráticas", diz Libération.

"Depois da vitória de Bolsonaro, o Brasil mais dividido do que nunca" é a manchete do Aujourd'hui en France. A correspondente do diário no Rio de Janeiro descreve a profunda polarização da sociedade brasileira: "enquanto uns comemoram o fim de uma classe política tradicionalmente corrupta, outros temem a instauração de um regime autoritário", publica.

Com uma campanha eleitoral violenta, dois turnos marcados por declarações polêmicas do ex-militar, como quando Bolsonaro prometeu o exílio ou a prisão de seus oponentes, os eleitores de Haddad, preveem que o clima no país vai piorar nos próximos dias, publica Aujourd'hui en France.

Análise do programa de governo

"O Brasil se submete à autoridade de um presidente antissistema" é a manchete de capa do jornal Le Figaro. O diário destaca o que chama de "medidas choque" que o presidente eleito quer impor ao país, na área da segurança - com a liberalização do porte de armas e a redução da maioridade penal para 16 anos - e na economia, com a reforma da previdência e a privatização ou a supressão de cerca de 150 empresas públicas.

Em relação às questões ecológicas, Le Figaro diz que Bolsonaro parece ter revisto suas intenções de sair do Acordo sobre o Clima de Paris e de juntar os ministérios da Agricultura com o do Meio Ambiente, mas sem confirmar essa "marcha-ré". No quesito diplomático, Bolsonaro prometeu transferir a embaixada do Brasil em Israel à Jerusalém, a exemplo do que fez o presidente americano, Donald Trump.

Também se inspirando em Washington, pretende rever as relações com a China, o maior parceiro comercial do Brasil, além de evocar a retirada do Brasil do Comitê dos Direitos Humanos da ONU, além da extradição de Cesare Battisti à Itália.

Economia também no foco do jornal Les Echos, que se concentra nas propostas liberais de Bolsonaro, que vão ficar a cargo do economista Paulo Guedes "um monetário ultraortodoxo", classifica o diário. Les Echos destaca que a redução da interferência do Estado na economia, prevista no programa do ex-militar, é bem vista pelos mercados.

Mas se de fato ele vai conseguir aumentar em 20% a produtividade em quatro anos em uma das economias mais fechadas do mundo, resta esperar o início de seu mandato, em 1° de janeiro de 2019, escreve Les Echos.

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