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Brasil/Argentina

Ausência de Macri na posse de Bolsonaro gera polêmica na Argentina

O presidente argentino Maurício Macri
O presidente argentino Maurício Macri REUTERS/Marcos Brindicci

Macri talvez seja o presidente que mais depende do sucesso de Bolsonaro e sua ausência deixa a diplomacia argentina numa saia justa, alimentando as críticas da oposição e dos empresários.

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Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

A Argentina tem no Brasil o seu maior mercado e o seu sócio mais estratégico. E, num ano eleitoral em que o governo precisa tirar o país da recessão, a sintonia entre Mauricio Macri e Jair Bolsonaro é do interesse total dos argentinos. Além disso, para o futuro do Mercosul, o vínculo Argentina-Brasil é crucial. No entanto, Macri não estará na posse de Bolsonaro.

Os empresários da União Industrial Argentina consideram que Macri deveria ir à posse. A cada ponto de crescimento da economia brasileira, a economia argentina cresce automaticamente 0.25%. "Macri deveria ir. É preciso seguir o Brasil bem de perto", considerou o dirigente empresarial, Jose Urtubey.

A oposição liderada pelo senador peronista Miguel Pichetto, criticou duramente a decisão que rompe com uma tradição."A verdade é que deveríamos ir à posse de Bolsonaro. O presidente deveria fazer um esforço e ir. Seria importante que fosse", criticou Pichetto.

Chanceler vai representar Macri

O chanceler Jorge Faurie será o representante do governo argentino na posse de Bolsonaro. Viaja nesta segunda-feira e passa o Réveillon em Brasília. Questionado pela RFI sobre a ausência de Macri na posse, o ministro preferiu falar sobre a reunião bilateral que Macri terá em Brasília com Bolsonaro no próximo dia 16.

"Para nós, o Brasil é o principal sócio, um grande mercado e sempre estaremos juntos trabalhando como já estivemos fazendo em diálogo que mantemos com as novas autoridades que assumirão", defendeu. "O presidente Macri já tomou contato com o presidente Bolsonaro e acertaram uma reunião de trabalho na primeira parte de janeiro", disse Faurie, enfatizando "na primeira parte de janeiro" embora a pergunta fosse sobre a posse.

Foi a forma que o chanceler argentino encontrou para desconversar sobre a saia justa que a falta de Macri na posse significa para a diplomacia argentina. Até meados de dezembro, o próprio chanceler garantia que Macri iria à posse dada a importância do Brasil para a Argentina. Segundo Faurie, Macri aproveitaria para colocar como primeiro assunto a possibilidade de acelerar o acordo entre o Mercosul e a União Europeia.

"Para nós, o Brasil é o nosso sócio mais importante. Isso determina que o presidente entenda que tem que estar presente como o farão outros presidentes", afirmava Faurie, antes de readaptar o discurso, diplomaticamente.

Mercosul não será prioridade

Há duas versões para justificar a ausência. A oficial é que Macri está de férias na Patagônia. Já a extra-oficial aponta para uma resposta à decisão de Jair Bolsonaro de fazer do Chile -e não da Argentina- o seu primeiro destino internacional, rompendo também uma tradição dos presidentes brasileiros. O presidente chileno, Sebastián Piñera, confirmou presença na posse.

Para a Argentina, mais do que para qualquer outro país, há muito em jogo. A incerteza sobre o que o governo Bolsonaro pode significar para o Mercosul é motivo de preocupação. Macri também é a favor de uma flexibilização nas regras do bloco para estabelecer negociações.

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, já antecipou que o Mercosul não será uma prioridade para o novo governo brasileiro. E o próprio presidente eleito já disse que prefere negociações bilaterais entre países a negociações multilaterais em bloco, como são as negociações do Mercosul.

Alinhamento com os EUA

Macri e Bolsonaro podem entrar ainda numa disputa sobre quem é mais confrontativo com a Venezuela e mais alinhado com Washington. Até agora, Macri liderou as críticas contra o governo de Caracas que considera "uma ditadura". Mas eis que Bolsonaro também levanta a mesma bandeira.

Bolsonaro oferece um alinhamento automático do Brasil com os Estados Unidos sem mesmo que o governo norte-americano tenha pedido. Menos explicitamente, Macri também privilegia o vínculo com os Estados Unidos e mantém uma antiga relação pessoal de amizade com Donald Trump, mas não tem observações com a relação comercial com a China como manifesta Bolsonaro, mais em linha com a visão do republicano.

 

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