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Imprensa / Bolsonaro

“Hoje, Brasil dá um salto rumo ao desconhecido”, diz jornal francês sobre posse de Bolsonaro

A posse de Jair Bolsonaro é destaque do jornal francês Aujourd'hui en France desta terça-feira, 01/01/2019
A posse de Jair Bolsonaro é destaque do jornal francês Aujourd'hui en France desta terça-feira, 01/01/2019 Fotomontagem RFI

O jornal Aujourd'hui en France que chegou às bancas nesta terça-feira, primeiro dia de 2019, traz uma matéria apontando que o Brasil entra na "Era Bolsonaro". "O Novo presidente de extrema direita, que se distinguiu durante sua campanha por seu discurso racista e homofóbico, toma posse num país dividido entre apoiadores e opositores", diz o diário.

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A cerimônia desta terça-feira é vista pela publicação como um reflexo da imagem do ex-militar do Exército, com milhares de soldados, aviões de combate e um sistema antimíssel instalado em Brasília. Começa agora, segundo o Aujourd'hui en France, a "hora da verdade" para Bolsonaro, eleito num país corroído pela violência e que vive há anos uma série de turbulências econômicas.

Segundo análise de Frédéric Louault, pesquisador do Observatório Politico da América Latina do instituto Sciences Po, entrevistado pela publicação, os cem primeiros dias serão decisivos para Bolsonaro, com destaque para a reforma das aposentadorias. "É a reivindicação principal do meio empresarial, que permitiu sua eleição, mas a medida promete suscitar vários protestos", disse, por sua vez, Christophe Ventura, do instituto Iris.

A matéria também aponta a liberação do porte de armas para os chamados "cidadãos de bem", "uma medida popular mas que pode aumentar ainda mais a violência no país, onde 64.000 homicídios ocorreram em 2017", diz o jornal. "É uma das promessas simbólicas que podem ser aprovadas rapidamente e, se isso acontecer, ele terá legitimidade para batalhar com o Congresso em relação ao resto", afirma o pesquisador Frédéric Louault.

Saída do Brasil do Acordo de Paris

No plano diplomático, Aujourd'hui en France lembra que Bolsonaro pretende sair do acordo de Paris sobre o clima, após ter recusado ratificar o pacto da ONU sobre as migrações, além de prometer a transferência da embaixada de Israel a Jerusalém. Bolsonaro demonstrou se entender bem com o primeiro- ministro israelense, Benjamin Netanyahu, uma das lideranças presentes na posse do presidente eleito nesta terça-feira em Brasília.

Para o jornal francês, Bolsonaro segue a linha do vizinho americano, podendo ser chamado de "Trump brasileiro", o que explica a escolha de Ernesto Araújo, que é fã do chefe da Casa Branca, para o cargo de ministro das Relações Exteriores.

Aujourd'hui en France destaca que Bolsonaro não esperou sua posse para começar a anunciar os nomes de seu governo, que conta com 22 membros, incluindo sete militares e duas mulheres. Assim como Donald Trump, Bolsonaro é extremamente presente no Twitter, onde faz declarações sobre suas intenções governamentais a seus 2,7 milhões de seguidores.

Entre elas, segundo o jornal francês, estão a luta contra a corrupção e o ensino livre daquilo que o presidente eleito classifica de "lixo marxista". "O líder populista prometeu uma relação direta com seu povo. (...) Hoje, o Brasil dá um salto rumo ao desconhecido", finaliza o Aujourd'hui en France.

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