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Brasil-América Latina

Empresária brasileira vê o Caribe como porta de entrada para mercado europeu

Áudio 03:58
A empresária brasileira Waleska Schumaker.
A empresária brasileira Waleska Schumaker. Arquivo Pessoal

Após morar por 16 anos na Venezuela, onde investia no segmento de vinhos, a empresária Waleska Schumaker decidiu buscar novos horizontes, fugindo da crise no país socialista. A brasileira não precisou ir muito longe e se instalou em Curaçao, a ilha do Caribe a apenas 64 km de distância da costa venezuelana. Waleska teve a chance de ampliar sua carteira de produtos e, em meados do ano passado, começou a expandir seus negócios.

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Elianah Jorge, correspondente da RFI em Caracas

Para começar a desbravar este cenário paradisíaco que é referência no turismo internacional, Waleska, gaúcha de Bento Gonçalves, abriu uma importadora e distribuidora de bebidas. Ela explica que seu principal artigo continua sendo o vinho argentino, mas viu a necessidade de trabalhar com mais vigor bebidas brasileiras.

Segundo a empresária, “o Brasil tem produtos fantásticos para ser serem explorados na região do Caribe”. “A gente também está importando para Curaçao a cerveja artesanal brasileira, e estamos apresentando ao mercado local o suco de uva, que é outro grande produto que o Brasil tem e que poderia ser de Denominação de Origem Controlada”. A gaúcha garante que o suco de uva consumido pelo brasileiro “é único e não é comum encontrá-lo em outros países”.

Escala em Curaçao e rumo à Europa

Começar por Curaçao foi estratégico após um estudo determinar que, além de ser um mercado promissor, a ilha é uma porta de entrada para a Europa. Por ser um território ultramarino holandês, “Curaçao tem uma conexão com a Holanda bastante importante e isso significa um passo de abertura para fortalecer a presença do Brasil em mercados como o daquele país”, explica.

A forma de consumo em Curaçao também é propícia aos planos de médio prazo desta desbravadora brasileira em terras caribenhas. “O turista que vem para cá é diferente daquele que viaja para Aruba. Ele se hospeda pelo sistema Airbnb, que facilita o aluguel de casas e apartamentos, ou fica em resorts. Eles compram nos supermercados, fazendo com que a economia (de Curaçao) seja um pouco mais sólida e diversificada, se comparada com a do turismo de Aruba, que é mais de hotéis”, conta Waleska.

Além de mirar no mercado holandês, Waleska quer levar, ainda este ano, os produtos brasileiros para as ilhas que compõem o chamado ABC do Caribe – Aruba, Bonaire e Curacao. A meta da empresária é buscar parceiros e dar continuidade à expansão nas ilhas que sejam das Antilhas Holandesas, pela relação com Curaçao, e depois conquistar outros mercados.

De acordo com Waleska, em Curaçao estão presentes outras mercadorias brasileiras, como, por exemplo, sapatos e produtos de limpeza, além daquelas com as quais ela trabalha. “Este é um bom sinal porque mostra que aqui há aceitação do que é feito no Brasil”, explica.

Outro fator propício ao investimento é a retomada das exportações brasileiras, sinaliza a empresária. "Esperamos que a moeda continue favorável para exportar", porque se a moeda não acompanha, isso também é um problema para o Brasil.

De acordo com dados do governo de Curaçao, cerca de 111 brasileiros moram nesta ilha de apenas 444 quilômetros quadrados. Mas este número pode chegar a 200, segundo Waleska, “porque alguns brasileiros têm dupla nacionalidade e ao chegar apresentam apenas o outro passaporte”.

Curaçao abre suas portas ao Brasil

A brasileira afirma que os moradores de Curaçao são bastante receptivos a tudo o que se refere ao Brasil, tanto em produtos como no setor de turismo. Segundo estimativas, este ano cerca de 25 mil turistas brasileiros devem visitar a ilha, um aumento significativo sobretudo após a abertura, em dezembro passado, de um voo que sai do Aeroporto de Guarulhos (SP) direto para ‎Willemstad, a capital deste pedacinho da fria Holanda no caloroso Caribe. Outros 75 mil brasileiros visitam a ilha durante os cruzeiros, conta a gaúcha.

Representação diplomática

O trabalho de Waleska, iniciado por ela na Venezuela e agora desenvolvido na ilha, ganhou o reconhecimento do Itamaraty. Por não ser um país independente, não há embaixada ou Consulado Geral do Brasil em Curaçao. A única representação diplomática do Brasil na ilha é feita agora por Waleska através do cargo, “não remunerado”, explica ela, de cônsul honorária.

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