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Brasil

Para Araújo, aproximação de Brasil com os EUA não significa "subserviência ou alinhamento automático"

Entrevista coletiva do Ministro Ernesto Araújo em Washington, EUA
Entrevista coletiva do Ministro Ernesto Araújo em Washington, EUA Captura de vídeo

O governo do presidente Jair Bolsonaro não é o primeiro a colocar a aproximação com os americanos na lista de suas prioridades, mas está claro que o Palácio do Planalto está determinado como poucos antecessores. Há pouco mais de um mês da posse presidencial, em 1º de janeiro, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, tornou-se o primeiro integrante do alto escalão do governo Bolsonaro a ir aos Estados Unidos – e trouxe consigo uma agenda ambiciosa com o objetivo aprofundar as relações bilaterais.

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Nathalia Watkins, correspondente da RFI em Washington

“Ao contrário do que aconteceu no passado, o Brasil não tem medo de se relacionar com os Estados Unidos de igual para igual. Temia-se que uma relação mais próxima significasse algum tipo de subserviência ou alinhamento automático. Mas nós temos noção da nossa força e capacidade. A relação com os Estados Unidos pode ser de igual para igual e beneficiar o Brasil em todas as áreas. Agora acreditamos em nós mesmos”, disse Araújo a jornalistas na embaixada do Brasil em Washington. 

A viagem de três dias do chanceler pelos Estados Unidos incluiu encontros com o secretário de Estado, Mike Pompeo, o assessor de segurança John Bolton, além de membros do Congresso - tanto republicanos quanto democratas -, além de acadêmicos e diplomatas. O principal objetivo de Araújo era abrir caminho para a viagem do presidente Bolsonaro, que deve acontecer na segunda metade do mês que vem. 

Segundo o ministro, pode-se esperar que acordos significativos sejam assinados durante o encontro entre Bolsonaro e o presidente americano, Donald Trump. “É possível dar um salto e trabalhar para uma interconexão maior, dotada de visão estratégica, na atuação econômica. Também podemos trabalhar com mais ênfase em áreas como crime organizado, capacitação militar, liberdade na internet e promoção de liberdade religiosa que são áreas nas quais temos interesse em comum”, disse o ministro à RFI.

Nos Estados Unidos, o diplomata reuniu-se também com empresários de multinacionais de setores como o de alimentos, bebidas e automotivo em Washington e Nova York. Entre as principais preocupações do setor privado, estão possíveis acordos bilaterais e a redução de barreiras regulatórias no Brasil.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), um acordo de livre comércio com os Estados Unidos poderia aumentar as exportações brasileiras em ao menos 134 grupos de produtos, em setores como os de alimentos, químicos, automóveis, madeira, couro e calçados. Os americanos são principais compradores de produtos industrializados do Brasil.

Não apenas Venezuela

Araújo assegurou que não tratou exclusivamente da crise venezuelana durante a visita, mas este foi certamente o tópico que despertou maior interesse. Ele reiterou o apoio ao autoproclamado presidente interino Juan Guaidó, e acrescentou, na quarta-feira (6), que a cúpula liderada por México e Uruguai só serve para criar dúvidas sobre a evolução do processo democrático e retardar o fim da ditadura de Nicolás Maduro. "A iniciativa de Montevidéu parte da premissa da igualdade, entre o governo legítimo de Juan Guaidó e a ditadura de Maduro. A exemplo do passado, essa iniciativa de diálogo não deve prosperar”, disse o ministro.

Araújo voltou a afirmar que o Brasil não cogita uma opção militar, já que acredita que a transição deve ser conduzida pelo poder local por vias políticas e diplomáticas. “Temos cada vez mais a convicção de que este é um caminho sem volta. É uma questão de tempo. Não podemos diminuir a importância dos avanços democráticos das últimas seis semanas”, disse.

O chanceler negou que pretenda expulsar os representantes venezuelanos de Brasília. No entanto, afirmou que seu canal oficial de comunicação com o país é a representante apontada por Guaidó, a advogada e professor Maria Teresa Belandria, e não mais funcionários do governo Maduro.

“Nosso diálogo é com ela, com representantes de Maduro não temos nada a acordar. A visão oficial desse regime já sabemos que é uma coleção de mentiras, que sabemos que não tem utilidade nenhuma”, disse. 

A Venezuela foi central na pauta de reunião com o senador Marco Rubio, com o Secretário Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, e com John Bolton. Este último disse no Twitter que a aliança com o Brasil está mais forte do que nunca, destacando o apoio mútuo a Juan Guaidó, e a logística para fornecer ajuda humanitária ao país caribenho. “É frustrante porque queríamos fazer mais. Gostaríamos que a ajuda humanitária já estivesse entrando no país, porque a situação dos venezuelanos é dramática", completou.

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