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Berlinale/ocupações

Berlinale: ocupação de escolas no Brasil estimulou conscientização política de jovens

Cena de "Espero tua (re)volta", de Eliza Capai.
Cena de "Espero tua (re)volta", de Eliza Capai. Divulgação

Este é um daqueles trailers que dá vontade de ver o filme. E o longa, “Espero tua (re)volta”, não decepciona. Documentário é chato? Este não. A estreia mundial acontece neste sábado (9), na mostra Geração, da Berlinale.

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Enviada especial a Berlim

A documentarista Eliza Capai assina a direção do filme, que acompanha a ocupação de escolas em São Paulo, em 2015, por estudantes secundaristas contrários às medidas anunciadas pelo então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que previa o fechamento de quase cem escolas e o remanejamento de 311 mil alunos e 74 mil professores.

Foram quase 60 dias de ocupação de quase 200 escolas. O governo paulista recuou e cancelou a medida. No ano seguinte, em 2016, um novo escândalo – o das merendas – agita novamente os estudantes, que ocupam a Assembleia Legislativa. Eliza Capai diz foi cativada pela “potência” e a “esperança” desses estudantes, que conseguiram reverter a decisão do governo. Além disso, o movimento também se espalhou pelo Brasil.

Com imagens de arquivo, três protagonistas, Lucas “Koka” Penteado, Nayara Souza e Marcela Jesus, recontam o que viveram, com a linguagem e paixão dessa idade. “Entrevistei estudantes do Brasil todo, de correntes políticas diferentes, tentando entender quais eram as questões centrais – de alguma forma, cada um deles representa partes muitas grandes desse movimento”, relata a diretora.

Cena de "Espero tua (re)volta", de Eliza Capai.
Cena de "Espero tua (re)volta", de Eliza Capai. Divulgação

Insatisfação crescente

O documentário também recua alguns anos para chegar a 2013, quando São Paulo parou por causa do Movimento do Passe Livre, contra o aumento da tarifa de transportes. E avança para o impeachment contra Dilma Rousseff e a eleição de Jair Bolsonaro.

Tendo como público alvo os jovens, Eliza brinca que fez um videoclipe de 93 minutos. “O ritmo é acelerado, fizemos grupos de estudo para saber quanto tempo eles conseguiam ficar olhando para a tela”, uma vez que é uma geração acostumada a assistir séries.

Eliza Capai conta que foi um longo processo de confecção do roteiro, cada um dos três estudantes contando suas impressões e vivências pessoais. De opiniões às vezes divergentes, à margem das ações foram surgindo vertentes importantes, como a questão racial, a causa LGBT e posições políticas. “Foi uma parceria muito legal, refletimos sobre o que contar e como”, explica.

Documento para novas gerações

A cineasta constatou que “a dificuldade do movimento secundarista é da continuidade, pois eles ficam só três anos na escola”. Ela acrescenta que o filme vem com o desejo de virar um documento para os mais novos no sentido de mostrar o que fez essa geração, desde as estratégias de luta até as consequências emocionais”.

“Olho muito para trás e penso que tudo o que sou hoje foi graças ao movimento de ocupação”, diz Marcela Jesus, hoje com 19 anos, que está em Berlim para a apresentação do filme no festival. Atriz, ela participa de um grupo chamado Coletivo Ocupação, formado por ex-secundaristas das ocupações de 2015. “Eu assumi minha ancestralidade, meu cabelo, minha negritude, a ocupação me ensinou a não ter medo, a me impor”, conta Marcela.

 

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