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Imagem do Brasil está em jogo após tragédia de Brumadinho, pensa Les Echos

Captura de vídeo do site do Les Echos.
Captura de vídeo do site do Les Echos. DR

A resenha da imprensa francesa desta segunda-feira (4) repercute a demissão dos dirigentes da Vale, mais de um mês após a tragédia de Brumadinho. “A gigante da mineração brasileira está no banco dos réus”, é o título da matéria do Les Echos. Para além do caso da Vale, é a imagem do Brasil que está em jogo, salienta o diário.

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Le Figaro informa que o pedido de demissão "temporário" de Fabio Schvartsman e três outros executivos foi imediatamente aceito pela empresa, primeira produtora mundial de minério de ferro. O ministério público e a polícia federal, que investigam as causas do acidente na barragem de Brumadinho, que deixou 186 mortos e 122 desaparecidos em 25 de janeiro, haviam recomendado na última sexta-feira (1) o afastamento de Schvartsman. Após o drama, ficou evidente que a Vale conhecia os riscos do rompimento da barragem, aponta o artigo do jornal conservador.

Les Echos traz uma reportagem de página inteira sobre a tragédia, detalhando as investigações e suas consequências. Mais de um mês depois do acidente, a investigação revela muitos erros e negligência.

Este novo drama pode custar bilhões de euros à multinacional brasileira. O texto do correspondente lembra que em um primeiro momento, o governo havia tentado forçar a demissão do presidente da Vale, mas tinha renunciado, preocupado com as consequências que essa ingerência poderia provocar nos investidores.

Falta de respeito às vítimas

Mas a imagem do presidente da empresa, Fabio Schvartsman, se desgastou ainda mais depois de seu depoimento na Câmara, principalmente ao não se levantar durante o minuto de silêncio em memória às vitimas. "Uma falta de tato imediatamente interpretada como falta de respeito, levando alguns deputados a chamá-lo de bandido ou de mentiroso".

A hostilidade contra a Vale é dupla no Brasil. A empresa é considerada reincidente. O desastre de Mariana deveria ter servido de lição à Vale. No dia seguinte da primeira catástrofe, que deixou 19 mortos em novembro de 2015, a empresa tinha prometido que nunca mais um desastre como este se repetiria, ressalta Les Echos. No entanto, foi o mesmo tipo de barragem de resíduos que se rompeu.

“Lobby da lama”

A Vale tinha consciência dos riscos de rompimento de Brumadinho? questiona a reportagem. O grande número de vítimas mostra que a empresa não imaginava um cenário tão catastrófico como o ocorrido, acredita o engenheiro, Moacyr Duarte, entrevistado pelo diário. A vistoria pública se mostrou mais uma vez insuficiente, revelando a força do lobby das empresas de mineração, chamado de lobby da lama no Congresso. “A impunidade reina e na prática há uma espécie de autorregulação, com os controles sendo efetuados pelas próprias empresas”, denuncia o texto.

Para além do caso da Vale, é a imagem do Brasil que está de novo em jogo, salienta Les Echos. A reportagem lembra que, em Davos, Jair Bolsonaro havia afirmado que o “Brasil é o país que mais respeita o meio ambiente”. Três dias depois, a catástrofe de Brumadinho veio mostrar a verdadeira realidade do setor.

Depois do mega escândalo de corrupção da Petrobras, outra multinacional verde-amarela é incriminada. "Tudo isso abala a confiança dos brasileiros e dos investidores, justamente em um momento em que a economia nacional precisa se recuperar". A gigante da mineração, pode superar a crise, mas vai carregar por muito tempo “as sequelas de Brumadinho”, conclui o jornal.

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