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Brasil/ Argentina

Ernesto Araújo diz que primeiros 100 dias de governo Bolsonaro são "inteiramente positivos"

O chanceler brasileiro Ernesto Araújo encontra o presidente argentino Mauricio Macri, em Buenos Aires, Argentina, em 10 de abril de 2019.
O chanceler brasileiro Ernesto Araújo encontra o presidente argentino Mauricio Macri, em Buenos Aires, Argentina, em 10 de abril de 2019. Presidência da Argentina

Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, faz balanço positivo da nova política externa brasileira, nega desgastes no Itamaraty e reivindica o direito de discutir temas tabu como o golpe de 64 e a ditadura militar. A visita à Argentina termina com a perspectiva de um acordo comercial com União Europeia e EFTA até julho. 

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Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

Para o ministro Ernesto Araújo, nos primeiros 100 dias do governo Bolsonaro, o Brasil voltou a ser referência internacional e despertou o interesse dos atores globais.

"Nosso balanço é inteiramente positivo. A projeção do Brasil ganhou fôlego para atuar no mundo e voltou a ser uma referência. As pessoas querem saber o que o Brasil pensa", avaliou. "Apontamos numa direção e agora vamos tentar implementar tudo o que estamos conseguindo", indicou.

Ernesto Araújo refere-se à direção da nova política externa brasileira que "trabalha com tudo o que se relaciona com crescimento econômico".

"Trabalhamos com polos de tecnologia como Estados Unidos, Israel e Argentina", disse ao finalizar a sua visita a Buenos Aires, onde manteve reuniões com o seu colega argentino, o chanceler Jorge Faurie; como o ministro da Produção, Dante Sica; e com o próprio presidente Mauricio Macri, quem o recebeu na residência oficial de Olivos como uma antessala para uma visita do presidente Jair Bolsonaro à Argentina antes de julho, mas ainda sem data.

Sem desgastes no Itamaraty

O ministro negou que as trocas de embaixadores, como a de Sérgio Amaral, nos Estados Unidos, ou mesmo a desoneração de Mário Vilalva da Agência de Promoção das Exportações (APEX) representem desgaste interno no Itamaraty.

"Não há nenhum desgaste. É normal no início de governo. Na verdade, houve muito mais mudança de embaixadores no governo passado (Michel Temer) do que agora. Ao longo de 2018, houve cerca de 70 mudanças de embaixadores. Isso é normal", minimizou.

Quanto ao desconforto de diplomatas com as polêmicas posições do ministro Araújo, que nega um golpe de Estado em 1964 e a existência de uma ditadura militar, o próprio Araújo diz que "numa sociedade democrática, nenhum tema pode ser tabu".

"Acho que o que a população quer é que temas importantes não sejam fechados para a discussão e que haja sempre a liberdade de ter ideias. Eu tenho algumas que procuro apresentar. Numa sociedade democrática, é essencial que nenhum tema seja tabu, que nenhum tema seja simplesmente bloqueado porque contraria algum tipo de percepção anterior", argumentou.

Na Argentina, ditadura tem outro tipo de tratamento

O seu colega argentino, o chanceler Jorge Faurie, evitou afirmações relacionadas ao Brasil, mas ilustrou como, na Argentina, a ditadura tem outro tipo de tratamento.

"A posição da Argentina nesse tema foi sempre muito clara. Temos um compromisso em defesa dos Direitos Humanos e contra os governos totalitários. O nosso processo político tem o juízo e uma valorização do que os argentinos pensam. Fomos nós os que sofremos aqui na Argentina", diferencia-se Faurie. "Nós levamos as investigações argentinas até as últimas instâncias", destacou.

Acordos do Mercosul com outros blocos

Em julho, a Argentina vai sediar a próxima reunião de Cúpula do Mercosul. Uma nova dinâmica para o bloco foi tema de conversa nas reuniões.

"Avançamos na ideia muito firme e muito convergente sobre o futuro do Mercosul, sobre a importância de um Mercosul que funcione como um bloco comercial eficiente e que seja uma plataforma também eficiente de negociação com terceiros países", apontou Ernesto Araújo, ressaltando avanços para uma negociação com a União Europeia para um acordo de livre comércio.

"Avançamos muito na identificação do que falta para, do nosso ponto de vista, fecharmos uma negociação com a União Europeia. Neste governo, fizemos um esforço muito grande de nos colocarmos o mais próximo possível de um acordo, mas precisamos de muita coisa do lado dos europeus para fechar essa fase final do acordo", considerou o ministro brasileiro.

O seu par argentino também vê uma possível conclusão de acordos até a próxima reunião do Mercosul.

"Até a reunião, podem ser fechados os acordos com a União Europeia e com o EFTA (Suíça, Liechtenstein, Noruega e Islândia)", acredita o ministro Jorge Faurie.

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