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Imprensa

Libération publica perfil de Jean Wyllys, "a antítese perfeita de Bolsonaro"

Perfil do ex-deputado brasileiro Jean Wyllys, publicado pelo jornal Libération.
Perfil do ex-deputado brasileiro Jean Wyllys, publicado pelo jornal Libération. Fotomontagem RFI

O jornal Libération desta quinta-feira (9) publica um perfil do ex-deputado brasileiro Jean Wyllys. "(Br)exílio forçado", diz o título da matéria, fazendo um trocadilho com as palavras "Brasil" e "exílio".

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Para Libération, Jean Wyllys é a "antítese perfeita de Jair Bolsonaro", e encarna tudo o que odeiam os partidários do "Trump brasileiro": um militante de esquerda, abertamente gay, afrodescendente e intelectual. "Um símbolo a ser eliminado", diz o jornal, "sobretudo depois que ele cuspiu no rosto de Bolsonaro, em Brasília, durante a agitada votação sobre a destituição de Dilma Rousseff".

A nove mil quilômetros do Brasil, Jean Wyllys explicou as razões de seu exílio forçado no escritório parisiense da ONG Anistia Internacional, ressalta o diário. As ameaças de morte, cercadas de homofobia, se intensificaram depois do assassinato no Rio de sua amiga e companheira de luta, Marielle Franco, há pouco mais de um ano. Então deputado, Wyllys passou a sair apenas na companhia de três guardas-costas e carro blindado, limitando seus deslocamentos apenas do trabalho para casa e vice-versa. 

Além disso, o ex-deputado também aponta como motivo de seu exílio a exacerbação e a banalização das violências durante a última campanha eleitoral, com os membros do PSOL do Rio de Janeiro sendo ameaçados pelas milícias paramilitares. "Apesar de sua eleição para um terceiro mandato de deputado, no final de dezembro, Jean Wyllys aproveitou as férias na Europa para se instalar em Berlim, onde iniciou um doutorado", destaca Libération, "uma prova de covardia para seus opositores, mas um gesto de sobrevivência para o ex-deputado".

Esquerda do século XXI

Primeiro parlamentar brasileiro a assumir a homossexualidade publicamente, Jean Wyllys defendeu diversos projetos de leis progressistas, contra a prostituição, a favor da legalização da maconha e do casamento entre pessoas do mesmo sexo - que jamais foram aprovados, lembra Libé, mas que encarnam uma visão da esquerda do século XXI. Devido ao ativismo pró-LGBT, o brasileiro foi alvo de "violentas campanhas difamatórias da parte dos evangélicos fundamentalistas, através de grosseiras fake news, em um país onde os homossexuais viram crimes de ódio crescer de forma exponencial nos últimos anos". 

Evocando suas origens mestiças e proletárias, Jean Wyllys lamenta os retrocessos no Brasil depois dos anos Lula, "o único presidente nos abriu os braços", diz o ex-deputado. Apesar do exílio, ele não pretende deixar de lado o militantismo, iniciado na juventude em Alagoinhas, no sertão da Bahia. "Quando pequeno, minha mãe me disse que sonhar não era para os pobres como nós. Então, sempre quis lhe provar o contrário", afirma Jean Wyllys, em entrevista ao jornal Libération

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