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Linha Direta

Acusado de inoperância, governo Bolsonaro testará apoio das ruas no domingo

Áudio 07:14
O presidente Jair Bolsonaro aguarda início de evento com empresários no Rio de Janeiro. 20/05/2019.
O presidente Jair Bolsonaro aguarda início de evento com empresários no Rio de Janeiro. 20/05/2019. REUTERS/Ricardo Moraes

Cobrado a mostrar resultado prático de gestão, diante de uma economia estagnada, o governo Bolsonaro tenta avançar com medidas em tramitação no Congresso, numa negociação ainda complicada, e também busca um respaldo das ruas para mostrar força política.

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Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília

O desafio da semana é tocar propostas que, se não votadas nos próximos dias, perdem a validade. Um fiasco para um governo que saiu das urnas com 58 milhões de votos. Entre os assuntos, a medida que reestrutura o governo virá com artigos que contrariam ministros como Sérgio Moro, da Justiça, que pode perder o Coaf – órgão que monitora transações financeiras – para o Ministério da Economia. Há ainda o desafio de construir um texto da reforma da Previdência que mantenha a economia prevista de R$ 1 trilhão, mas que seja viável na hora da votação.

A líder do governo no Congresso, Joice Hasselman (PSL-SP), disse que não há acordo para tudo, mas que está otimista com o andamento dos trabalhos:

“Há a liberdade de o parlamentar A, B ou C divergir, eventualmente. Mas os líderes estão bastante afinados para fazer essas votações, porque as Medidas Provisórias são importantes. A gente sabe que nenhuma delas pode cair. Então a gente precisa virar essa página e seguir, porque o governo tem mais três anos e meio pela frente de muito trabalho.”

Além dos números desoladores da economia, como revisão para baixo do crescimento do PIB, o governo acumula polêmicas como o corte de recursos para custeio das universidades e o decreto que flexibilizou o porte de armas, criticado inclusive por entidades internacionais.

Para o historiador Antonio Barbosa, especialista em História do Brasil na Universidade de Brasília (UnB), o presidente ainda precisa mostrar serviço:

“Ao tomar posse e ao longo desses cinco meses, ele demonstrou uma incapacidade muito grande de governar. Eu gostaria de salientar que para Bolsonaro e para os bolsonaristas mais extremados, mais radicais, governar é manter acesa a chama da campanha eleitoral. Daí os apelos constantes que ele faz aos seus seguidores mais radicais, inclusive culminando com uma convocação para que as pessoas estejam nas ruas no dia 26 de maio, na verdade para apoiá-lo”, afirmou o historiador. Para o historiador, a situação é delicada para o governo do PSL:

“Alguns dos ministros mostram-se rigorosamente incapazes e outros são profundamente ligados a um viés ideológico. É um governo que não consegue se articular com o Congresso Nacional, o que no fundo demonstra um desapreço com a própria política e com os próprios valores da democracia. Eu diria que, a continuar desse jeito, é bastante possível que ele não consiga completar seu mandato.”

Manifestações pró-governo

A avaliação é dúbia sobre os impactos dessas mobilizações pró-governo na sobrevivência política de Bolsonaro. Num primeiro momento, o presidente e seus apoiadores mais enfáticos viam nas ruas a chance de se contrapor às mobilizações de estudantes que lotaram as ruas na semana passada, numa demonstração de força. E viam principalmente a chance de pressionar o Congresso e de justificar dificuldades políticas, mostrando que o governo tem força, mas não se rende às negociatas com o Legislativo. Mas dentro do próprio governo há quem veja um risco de um tiro no pé, com aumento na tensão com o Parlamento e, a depender do tamanho das mobilizações, um enfraquecimento do presidente.

Tanto que o governo confirmou que Jair Bolsonaro não irá às manifestações e orientou os ministros a não comparecerem. O PSL, partido do presidente, não irá apoiar formalmente as mobilizações, mas liberou seus integrantes a participarem. O deputado Carlos Jordy (PSL-RJ) estará presente:

“Para mostrar apoio ao presidente, para mostrar apoio ao governo. E para que setores do Congresso não atrapalhem a votação de propostas importantes. Não é uma mobilização contra um parlamentar específico, mas para a população cobrar do seu parlamentar uma postura de colaboração com o país, com o governo, afirmou o deputado do PSL.”

O deputado Paulo Pereira da Silva, do Solidariedade, avalia que o governo perde de todo jeito com o protesto de domingo:

“Quem faz manifestação é a oposição. Quem governa tem que tocar propostas. Se der muita gente, o recado é uma crítica ao Congresso. E aí o governo vai fe char o Parlamento? A sociedade não aceita. Se for esvaziado, como eu acho que será, o governo fica muito enfraquecido”, disse o parlamentar que integra o grupo de centro da Câmara.

Nem todos os grupos que estiveram com Bolsonaro na campanha avalizaram as mobilizações, como o Movimento Brasil Livre (MBL) e o partido Novo. Outros estão se mobilizando pelo governo, como os grupos Nas Ruas, Ativistas Independentes, Direita São Paulo, Patriotas Lobos Brasil, o Clube Militar e parte dos caminhoneiros.

Para muitos parlamentares, apesar das dificuldades de articulação, muitos projetos vão andar, não no ritmo e nos moldes que queria o governo, mas porque o próprio Congresso reconhece a gravidade da situação econômica e quer protagonismo nessa crise política. O Centrão, por exemplo, fala em tocar a reforma da Previdência num texto com mudanças e também a reforma tributária, além de outros projetos:

"Vamos tocar uma pauta produtiva, uma pauta definida pelo Legislativo, porque de fato a articulação com o governo ainda é muito deficitária", disse o líder do Progressistas, Arthur Lira.

Nessa terça-feira foi aprovada a Medida Provisória que autoriza a participação de até 100% de capital estrangeiro em companhias aéreas com sede no Brasil.

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