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Vaticano

Sínodo da Amazônia é desafio para presença da Igreja Católica na região

O Sínodo da Amazônia está agenda para o mês de outubro de 2019.
O Sínodo da Amazônia está agenda para o mês de outubro de 2019. Jefferson Rudy/MMA/ brasil.gov.br

O Sínodo sobre a Amazônia, uma iniciativa do Vaticano para discutir o futuro da região, é um dos assuntos tratados pela imprensa francesa nesta quarta-feira (22). Um artigo no jornal católico La Croix afirma que o evento, previsto para outubro, é um desafio para toda a Igreja.

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O correspondente do jornal na Itália, Nicolas Senèze, explica em sua reportagem que além dos desafios ecológicos, a presença da Igreja Católica na vasta região amazônica vai estar no centro dos debates durante o Sínodo convocado pelo papa Francisco. Esse assunto também esteve presente em um recente colóquio na Universidade gregoriana de Roma.

O artigo cita a experiência de vários padres para mostrar o quanto a ausência da Igreja é flagrante na região. Um deles, David Romero, responsável pelos jesuítas na Amazônia, visitou uma pequena comunidade em uma localidade não informada, mas que não tinha visto um padre há pelo menos 10 anos.

Outro padre, o peruano Pablo Mora, disse ter celebrado uma missa em uma comunidade onde havia apenas uma família católica, mas estiveram presentes muitos fiéis que se tornaram evangélicos, o que revela, segundo o religioso, o abandono pastoral da Igreja.

Ao jornal, o secretário-executivo da Repam (Rede Eclesial Pan-Amazônica), Mauricio Lopez, afirma que os povos da Amazônia reclamam a presença da Igreja Católica. A constatação veio dos eventos organizados pela Repam nos últimos meses, chamados de "momentos de escuta", que reuniram mais de 22 mil moradores dos nove países da bacia amazônica. Lopez considera a Amazônia e seus desafios para o clima do planeta, a segunda área de maior influência geopolítica mundial depois do Oriente Médio.

Bolsonaro é obstáculo

Por isso, diz o jornal La Croix, o ex-cardeal de São Paulo dom Cláudio Hummes vê a necessidade de criar uma Assembleia especial sobre o tema durante o Sínodo. Ele diz que a Amazônia nunca esteve tão ameaçada e critica o "paradigma tecnocrata" que dá ênfase a um "neocolonialismo econômico", manifestado pelo apetite das empresas de agronegócio e mineração, em detrimento do ser humano, que ficou em segundo plano.

Para ouvir o grito dos excluídos, a Igreja Católica deve ampliar sua presença na região, mas diante das dificuldades do deslocamento dos padres na Amazônia, Cláudio Hummes defende a importância de uma Igreja "inculturada", termo que designa a influência recíproca da fé cristã com a cultura local. O problema dessa visão é que muitos enxergam uma porta aberta para temas tabus na Igreja Católica, como o celibato e a ordenação de mulheres.

Já o arcebispo de Huncayo, no Peru, o cardeal Pedro Barreto, estima que os povos autóctones, que ele descobriu em diversas viagens a partir de 2001, representam uma alternativa para nossa sociedade. Por isso, ele defende o que chama de "amazonificação da Igreja".

O texto ainda lembra que essa visão humana da Amazônia encontra forte resistência do governo do presidente Jair Bolsonaro, já que ele considera os povos indígenas um obstáculo para a exploração da floresta. Ele já manifestou preocupação com o Sínodo da Igreja e seus colaboradores já declararam que o evento da Vaticano "interfere na soberania do Brasil".

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