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UE/Mercosul

Pressão de agricultores leva França a bloquear acordo da UE com o Mercosul

O ministro da Agricultura e Alimentação, Didier Guillaume, na Assembleia Nacional francesa.
O ministro da Agricultura e Alimentação, Didier Guillaume, na Assembleia Nacional francesa. Thomas SAMSON / AFP

Depois de a comissária europeia para o Comércio, Cecilia Malmström, se pronunciar sobre a expectativa de fechar o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul nos próximos meses, a França jogou um balde de água fria nos planos. O anúncio gerou insatisfação dos agricultores franceses, principalmente da pecuária, que temem a entrada no bloco de produtos latinoamericanos a um custo inferior aos praticados na Europa.

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Pressionado, o Ministério da Agricultura da França divulgou uma nota para “reafirmar a posição clara e firme” do país, de que “não ratificará nenhum acordo que prejudique os interesses dos agricultores e consumidores franceses, às exigências de qualidade sanitárias dos padrões europeus e aos compromissos ambientais do Acordo de Paris”.
O texto, assinado pelo ministro Didier Guillaume, menciona ainda que o presidente francês, Emmanuel Macron, tratou sobre a questão com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, para ressaltar essa posição. 

Na quarta-feira (22), Malmström disse esperar que as negociações sejam concluídas antes do final do mandato do atual Executivo europeu, em 31 de outubro de 2019. Ela acrescentou que, em março, a última rodada de negociações entre europeus e o Mercosul, formado pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, foi “coroada de sucesso”.

“Acho que nossos amigos do Mercosul têm muita vontade de avançar antes da chegada de uma nova Comissão em Bruxelas”, completou. O novo Executivo da UE será escolhido pelos eurodeputados, que serão eleitos na votação realizada de 23 a 26 de maio.

O governo brasileiro compartilha o otimismo sobre o avanço, após 20 anos de tratativas sobre o acordo. Um integrante da comitiva brasileira que participa da reunião ministerial da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), em Paris, indicou que a expectativa é fechar o acordo “antes de o novo Parlamento Europeu” assumir, no início de julho.

O entendimento é o de que a ascensão de uma frente nacionalista e protecionista ao Parlamento Europeu, após a votação, poderia dificultar ainda mais o diálogo com o Mercosul. A linha política dos novos comissários que deverão assumir, inclusive o de Comércio, é uma incógnita.

Segundo esta fonte, os dois lados correm contra o tempo e o diálogo destravou em pontos sensíveis das negociações, como o comércio de bens industriais, serviços, navegação costeira e o setor automotivo. A agricultura segue sendo a principal área de discórdia, a exemplo da exigência dos europeus de proteger produtos típicos fabricados na Europa, com “apelações de origem controlada”, como os queijos italianos parmesão e gorgonzola ou o conhaque francês.

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