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RFI Convida

Valorizar população indígena é o caminho para a preservação da Amazônia, diz historiador americano

Áudio 09:38
Neil Safier, professor do departamento de História da Brown University, de Providence, nos Estados Unidos
Neil Safier, professor do departamento de História da Brown University, de Providence, nos Estados Unidos RFI

A RFI conversou com Neil Safier, professor do departamento de História da Brown University, de Providence, nos Estados Unidos, que esteve em Paris a convite da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris. O acadêmico, que fez seu doutorado na Universidade John Hopkins, criou um importante vínculo com o Brasil e passou a estudar a influência europeia na região amazônica no século XVIII.

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O primeiro contato de Neil Safier com o Brasil Neil aconteceu há mais de 20 anos. “Estava viajando pelo Chile quando conheci quatro brasileiros que me convidaram para conhecer o Brasil. Optei por aceitar o convite e com isso troquei meu “portunhol” pelo português, foi assim que comecei a me interessar muito pelo Brasil. Principalmente pela conexão do Brasil com a Europa do período colonial e sobretudo do século XVIII”, conta o professor de História.

“Quando eu descobri o Brasil, eu queria encontrar uma forma de conectar os meus interesses na França e no Brasil. Eu descobri um viajante francês, Charles Marie de la Condamine, que foi o primeiro cientista, digamos assim, que desceu o rio Amazonas, em 1743. Desde então, eu tive uma espécie de duplo interesse pela cultura erudita europeia do século XVIII, do Iluminismo, e também pelo desenvolvimento territorial do Brasil e em particular da Amazônia”, explica Safier.

Conhecimento para valorizar a região

Um assunto que raramente aparece em rodas de conversa. O acadêmico reconhece que todos estão principalmente preocupados com o futuro da região. “Mas conhecer a história é fundamental porque isto nos dá a oportunidade de olhar para todas as etapas diferentes do desenvolvimento”, lembra Safier. “Nos dias de hoje estamos observando um desenvolvimento que já começou há muito tempo, com a chegada dos europeus na região amazônica”, explica.

Para o professor, conhecer a fundo o passado da Amazônia faz com que a região passe a ter mais valor. “Nos primeiros relatos dos europeus, descobrimos muitos conhecimentos indígenas sobre a região. Então essa dinâmica histórica valoriza muito mais a importância do conhecimento indígena, a presença antiga desses povos, e também integra muito mais a presença deles nas conversas e nos diálogos de hoje. Eu acho que a história é fundamental para recuperar essas formas de pensar, e inseri-las dentro do diálogo dinâmico de hoje”, afirma Safier.

Futuro incerto

Mas Neil Safier reconhece que é importante olhar para o futuro. “Todos os historiadores têm que lidar com o problema da mudança histórica. Pode parecer até uma desculpa, mas os historiadores são péssimos em prognosticar. Não sabemos o que vai acontecer com o nosso planeta, com a Amazônia”, diz o acadêmico.

“Com certeza, estamos destruindo a Amazônia. A Mata Atlântica já quase desapareceu do Brasil. Nós vamos ter que explicar no futuro o que nós estávamos fazendo enquanto essa parte do nosso planeta sumia. Eu tenho a esperança que reconhecendo a importância de certas regiões, nós poderemos entender como vai ser possível para a espécie humana mudar esse itinerário para um caminho melhor”, conclui Safier.

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