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Brasil/ Crime/ Índio

“Garimpeiros são suspeitos deste ataque sangrento”, diz Le Monde sobre morte de índio Wayãpi no Brasil

Site do jornal Le Monde sobre o crime contra o índio Wayãpi no Brasil
Site do jornal Le Monde sobre o crime contra o índio Wayãpi no Brasil Site Le Monde

A edição do vespertino francês Le Monde que chegou às bancas nesta segunda-feira (29) fala da morte do cacique indígena Emyra Wayãpi no Brasil. “Garimpeiros clandestinos são suspeitos deste ataque sangrento cometido no coração de uma reserva protegida do Amapá”, escreve o jornal, sublinhando que “o presidente e líder da extrema direita Jair Bolsonaro repete que pretende legalizar o garimpo nas reservas”.

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O crime, ocorrido na terça-feira, 23 de julho, mas confirmado e denunciado pelos indígenas no dia 26, tem tido ampla repercussão na França, que, entre outras coisas, tem no Brasil e na região do assassinato (extremo Norte) uma extensa fronteira, por meio da Guiana francesa.

“Os indígenas falaram de cerca de 50 garimpeiros clandestinos, armados com rifles automáticos, prontos para massacrá-los em nome de uma fortuna tão efêmera quanto ilusória, relatando a captura, a tortura e a morte de um dos seus”, escreve a correspondente do Monde no Brasil, Claire Gatinois.

O jornal conta que a Polícia Federal e o Bope lançaram no domingo, 28 de julho, uma operação no território indígena para investigar o crime.

Crime sem testemunhas

“Não houve testemunhas do crime, indica uma nota publicada domingo pelos Wayãpi. Mas o corpo do cacique foi encontrado com marcas de violência, deixando indícios de que se tata de um assassinato”, afirma Le Monde.

Segundo a reportagem, na sexta-feira seguinte ao ataque, os garimpeiros teriam se instalado numa aldeia próxima ao local do crime, ameaçando seus habitantes. Aterrorizados, eles teriam fugido em massa, pedindo ajuda das autoridades.

No fim de semana, destaca o jornal, os cantores Caetano Veloso e Criolo se juntaram aos pedidos de ajuda, exortando as forças de ordem a interferirem.

Le Monde escreve que, segundo os defensores da causa indígena, esta nova invasão de garimpeiros nas terras demarcadas não é estranha à mensagem enviada pelo presidente Jair Bolsonaro.

Violência, poluição, contaminação

“Contrariado pela demarcação de territórios indígenas, que, segundo ele, entravam o desenvolvimento econômico do país, mantendo os índios em condições ‘pré-históricas’, o líder da extrema direita brasileira repete que quer legalizar o garimpo nestas reservas”, diz um trecho da matéria.

“Pouco importa que a atividade traga violência, doenças, prostituição e poluição com mercúrio. O presidente e os membros do seu governo querem explorar as riquezas da Amazônia. Denunciando a ‘psicose ambientalista’, o chefe de Estado parece, assim, estimular o desmatamento, causado pelos garimpeiros, assim como pelos fazendeiros”, explica Le Monde.

O jornal relata que o povo wayãpi vivia em paz depois da demarcação de seu território em 1996, apesar da ameaça constante dos garimpeiros.

O artigo termina com um apelo do senador Randolfe Rodrigues, do partido ecológico Rede, que diz: "Nós sabemos agora que Bolsonaro não fará nada para proteger estas populações. A gente precisa da ajuda da comunidade internacional", insiste o deputado. Contatada pelo Le Monde, a Presidência da República não respondeu às solicitações.

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