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Discurso de governo para explorar terras indígenas legitima invasões, alerta organização indigenista

Áudio 06:49
Gilberto Vieira, do Conselho Indigenista Missionário
Gilberto Vieira, do Conselho Indigenista Missionário Captura de vídeo

Criado em 1972, em plena ditadura, o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), ligado à CNBB (Conselho Nacional dos Bispos do Brasil), tem como objetivo contribuir junto aos povos indígenas na luta pela defesa de seus direitos. Gilberto Vieira, secretário adjunto do CIMI, faz um alerta sobre a situação dos indígenas no Brasil.

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O Cimi não tem atuação na área dos Waiãpi, no Amapá, mas acompanha a luta indígena há mais de 45 anos. “O que observamos é que atos políticos expõem os indígenas e seus territórios a riscos”, diz Vieira. “São discursos preconceituosos e racistas que colocam a questão da demarcação em segundo, terceiro plano”, acrescenta.

A fragilização da Funai acelera ainda mais o processo, diz o representante do Cimi. Ele lembra a tentativa de atribuir uma das principais tarefas do órgão - de demarcação e proteção dos territórios - ao Ministério da Agricultura, iniciativa que acabou sendo derrubada por um processo legislativo. 

“Vemos, através da manifestação declarada do governo atual que de fato há um processo de abertura das terras indígenas e dos bens que esses povos têm preservado há muito tempo para interesses externos, como uma autorização para esses invasores”, conclui.

Vieira lembra que as terras Waiãpi já tinham sido alvo de ataques de garimpeiros nos anos 1980, mas que agora “esses interesses externos se sentem legitimados quando há um presidente que não reconhece a Constituição”.

Aumento de invasões

“As invasões de territórios indígenas vêm aumentando desde o começo do ano, como o das terras Karipuna, em Rondônia. Justamente por causa desse discurso de que não haveria mais demarcação – e é uma terra já homologada. Isso acontece também no Maranhão, no Pará”, lembra Gilberto.

“Se um governo faz esse tipo de declaração aberta, evidentemente que os invasores, que sempre existiram, isso se intensifica e eles se sentem legitimados. Ou seja, fica a ideia de que não haverá mais demarcações e as terras que já foram demarcadas ficam disponíveis. Não só o discurso, mas a prática do novo governo, desde o primeiro dia do mandato, com a intenção de fragilizar o órgão indigenista, tem colocado os povos indígenas sob pressão”.

Para ouvir a entrevista, clique na foto acima.

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