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RFI Convida

Livro de brasileira radicada em Paris desmistifica glamour da capital francesa

Áudio 07:23
A escritora Marcia Camargos, autora do livro "É chique morar em Paris?".
A escritora Marcia Camargos, autora do livro "É chique morar em Paris?". RFI

“É chique morar em Paris?” Este é o título instigante do novo livro de Marcia Camargos, escritora, jornalista e historiadora brasileira radicada na capital francesa há três anos. Numa escrita leve e bem-humorada, a autora tenta desmistificar o glamour que é normalmente associado à cidade luz.

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Marcia Camargos é especialista da obra de Monteiro Lobato e do modernismo brasileiro. Ela tem mais de 25 livros publicados no Brasil. “É chique morar em Paris?” chega agora às livrarias brasileiras pela Folhas de Relva Edições. A edição bilíngue, em português e francês, é ilustrada e traz também informações históricas sobre a França e a capital. Os oito capítulos são baseados na experiência pessoal de adaptação à vida parisiense da escritora que se mudou para a cidade em 2016, após se casar com um francês.

Uma das características da sociedade francesa é a burocracia administrativa. O sistema se revela um quebra-cabeça para os estrangeiros que “não dominam ainda o idioma e se deparam com funcionários públicos nem sempre dispostos a te orientar como se deve”, conta a escritora.

Ao mostrar o lado B da cidade, Marcia Camargos quis também alertar quem está desembarcando, com o projeto de se instalar no país, de que nem tudo é um mar de rosas: “Eu mostro todos os meandros da burocracia. Uma coisa é você vir como turista, passar uma semana fazendo compras nas Galeries Lafayette, visitando o Louvre e comendo bem. Outra, é você se estabelecer aqui, tendo que tirar uma série de documentos, abrir conta no banco... É bastante complicado, demorado”.

Aliás, não é à toa que burocracia vem da palavra francesa "bureau", que significa escritório, lembra a jornalista no livro.

Capa do livro da escritora Marcia Camargos.
Capa do livro da escritora Marcia Camargos. Arquivo Pessoal

32 de maio!

A brasileira relata situações desconcertantes, como o carimbo em seu passaporte no dia em que chegou à França: 32 de maio! Ela precisava do documento para pedir a carta de residência, o famoso “titre de séjour”, e temeu que a data esdrúxula complicasse todo o processo. Deu tudo certo e o erro acabou gerando uma cena de descontração: “Quando fui renovar meu 'titre de séjour', o funcionário morreu de rir. Meu passaporte passou de mão em mão na repartição e descontraiu o ambiente, em geral um pouco pesado e mal-humorado dessas repartições públicas”.

Ela quis entender a origem desse “mau-humor crônico dos parisienses que não se pode negar”. Depois de pesquisar, chegou à conclusão que ele se deve à ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial: “Ter que engolir aquela presença foi bastante humilhante. É uma teoria. Não tem fundamento científico, mas acho que isso contribuiu bastante, principalmente em Paris, que foi a cidade que mais sofreu.”

A jornalista ensina as quatro palavras mais usadas no país, sendo que a primeira delas é o imprescindível “bonjour”. O jeito descontraído de pedir uma informação no Brasil é inaceitável na França: “Aqui você sempre tem que falar primeiro 'bonjour', seja para o que for”, ensina.

Extraterreste

“É chique morar em Paris?” desmistifica o glamour da capital e dos franceses, mas a autora ressalta que foi muito bem acolhida pela família de seu marido e que ama a França, país com muitas qualidades, como seu sistema de saúde pública - “que lembra Cuba”.

Para escrever o livro, Marcia Camargos se inspirou em um best-seller do século 20, “How to be an alien”, escrito por George Mikes, um húngaro radicado na Inglaterra, que com muito humor fala das esquisitices dos ingleses. Brincando, a mineira criada em São Paulo garante que não se tornou ainda um extraterrestre. Ela continua cidadã brasileira e participando de manifestações na França contra o atual governo, apesar de críticas de compatriotas que dizem que “falar mal do Brasil de Paris é fácil”. “A adaptação a um novo país nunca termina”, conclui a autora.

 

 

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