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Meio Ambiente

Desmatamento na Amazônia avança ante impunidade de redes criminosas, denuncia HRW

Indígenas caiapós inspecionam toras de árvores abandonadas por madeireiros que fugiram de uma patrulha na terra indígena Baú, no Pará.
Indígenas caiapós inspecionam toras de árvores abandonadas por madeireiros que fugiram de uma patrulha na terra indígena Baú, no Pará. REUTERS/Amanda Perobelli

O governo brasileiro "fracassa" na proteção dos defensores do meio ambiente, favorecendo o avanço de redes criminosas que destroem a Amazônia, afirma a ONG Human Rights Watch (HRW) em seu relatório "Mafias do Ipê". O documento, divulgado nesta terça-feira (17), aponta a impunidade e a redução da fiscalização ambiental como fatores que contribuem para o desmatamento da maior selva tropical do mundo.

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Dados oficiais atestam que o desmatamento da Amazônia brasileira praticamente duplicou entre janeiro e agosto passados, saltando de 3.336,7 km2 neste período de 2018 para 6.404,4 km2 este ano, o equivalente a 640 mil campos de futebol.

A destruição da Amazônia "é impulsionada em grande parte por redes criminosas que usam da violência e intimidação contra aqueles que se colocam em seu caminho", destaca a HRW, acrescentando que os responsáveis pela violência raramente são levados à justiça. A associação exorta o presidente Jair Bolsonaro a conter seus ataques verbais e acusações sem fundamento contra as ONGs, e a restabelecer a "cooperação" entre o governo e a sociedade civil para proteger indígenas, ativistas do meio ambiente e a floresta.

"Provas confiáveis" sobre ações de criminosos

Madeireiros e pecuaristas são apontados como os principais responsáveis pelo desmatamento na Amazônia. Eles destroem o bioma em busca de madeiras nobres e da criação de gado, ressalta o relatório.

A HRW cita 28 assassinatos nos últimos anos cujos responsáveis podem estar envolvidos na extração ilegal de madeira, "segundo provas confiáveis". "Os responsáveis pela violência raramente são levados à justiça", e em muitos casos as denúncias de ameaças sequer são investigadas pela polícia.

"Enquanto o Brasil não adotar medidas urgentes contra a violência e a ilegalidade que facilitam a extração ilegal de madeira, a destruição da maior floresta tropical do mundo continuará desenfreada", concluiu Daniel Wilkinson, diretor de direitos humanos e meio ambiente da HRW.

Em julho, outra organização não governamental, a Global Witness, apontou o Brasil como o quarto país com maior número de homicídios de defensores do meio ambiente. Apenas em 2018 foram registrados 20 assassinatos de ativistas ambientais no território brasileiro.

As ameaças na região amazônica não são uma novidade para as autoridades. Desde o assassinato de Chico Mendes, em 1988, uma das vozes em defesa do meio ambiente mais conhecidas do mundo, os crimes não cessaram.

Retrocessos na gestão ambiental

Em seu relatório, a HRW observa "retrocessos" na gestão ambiental de Bolsonaro, que defende a redução das reservas indígenas e a exploração comercial da floresta amazônica. O relatório condena Bolsonaro pela nomeação do chanceler Ernesto Araújo, que qualifica a mudança climática como uma "tática globalista". O presidente de extrema direita também é criticado por ameaçar tirar o Brasil do Acordo de Paris, por reduzir o orçamento do Ministério do Meio Ambiente, além de enfraquecer sua estrutura operacional.

Com informações da AFP

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