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Brasileiro convidado à cúpula do clima da ONU foi bloqueado por ministro Ricardo Salles

João Henrique Cerqueira Alves, durante protesto na COP24, na Polônia.
João Henrique Cerqueira Alves, durante protesto na COP24, na Polônia. Arquivo Pessoal

João Henrique Alces Cerqueira, estudante de engenharia ambiental e militante ecologista de 27 anos, é um dos 100 jovens “campeões do clima” que receberam o chamado “tíquete verde” da ONU, um convite para viajar a Nova York e participar da Cúpula das Nações Unidas sobre Juventude e Clima, neste sábado (21). Porém, no Brasil, o ativismo do jovem incomodou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

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No início do governo de Jair Bolsonaro, João Henrique e outros jovens protocolaram um ofício no ministério para pedir uma reunião com Salles e apresentar as prioridades da juventude sobre a questão ambiental. O pedido foi ignorado e motivou uma campanha nas redes sociais para a realização do encontro.

“A resposta que eu tive, pessoalmente, foi ter sido bloqueado pelas redes sociais do ministro”, conta o paranaense, que relata não ter ficado surpreso com a reação. “Era esperado porque esse é o tipo de respeito e inclusão que essa gestão dá a qualquer tipo de setor que não seja alinhado com a pauta deles. A atual gestão tem transformado ONGs em inimigos do Estado”, lamenta. 

Protestos contra Bolsonaro em Nova York

João Henrique viaja pelo Brasil de bicicleta para ouvir as comunidades que já sentem os efeitos das mudanças climáticas. No evento da ONU, o estudante terá a oportunidade de conhecer centenas de outros jovens que, como ele, se engajaram para combater as alterações do clima ao redor do mundo. E antecipa: Bolsonaro deve ser um dos principais alvos dos protestos dos militantes ecologistas.

“A gente aproveita essas ocasiões para ter acesso aos líderes e fazer ações de constrangimento. Nesses espaços, eles não estão imunes a nós, à sociedade, à juventude”, afirma.

Na segunda-feira (23), acontece a Cúpula das Nações Unidas sobre a Ação Climática, na qual 63 países vão apresentar novas propostas em favor do meio ambiente. O ministro Salles vai representar o Brasil, porém não vai discursar, já que o país não enviou nenhum projeto.

Uma fonte do governo, que preferiu manter o anonimato, afirmou que o Brasil vai reafirmar os compromissos assumidos no Acordo de Paris. Brasília adotou um discurso controverso a respeito do tratado e o chanceler Ernesto Araújo chega a contestar as mudanças climáticas.

Nesse contexto de ceticismo, os ambientalistas avaliam como positivo o fato de o Brasil participar da cúpula, promovida pelo secretário-geral da ONU, Antonio Guterres. Donald Trump, por exemplo, anunciou que não iria ao evento. Mas Emmanuel Macron (França), Angela Merkel (Alemanha), Reino Unido (Boris Johnson) e Índia (Narendra Modi), entre outros líderes, estarão presentes. Bolsonaro confirmou a presença na abertura da Assembleia-geral das Nações Unidas, no dia seguinte, terça-feira (24).

Baiana é primeira brasileira a receber prêmio da ONU

A semana de atividades ligadas ao clima permanecerá intensa em Nova York. No dia 26, outra jovem brasileira, Anna Luisa Beserra, será a primeira a receber o prêmio Jovens Campeões da Terra, por desenvolver um sistema inédito e sustentável de filtragem da água para regiões isoladas do semiárido brasileiro. O equipamento funciona apenas com a luz solar e pode purificar até 30 litros de água da chuva por dia. Com manutenção adequada – apenas limpeza regular com água e sabão -, a invenção pode durar 20 anos.

Anna Luisa Beserra será a primeira brasileira a receber o prêmio Jovens Campeões da Terra da ONU.
Anna Luisa Beserra será a primeira brasileira a receber o prêmio Jovens Campeões da Terra da ONU. ONU Meio Ambiente

Apesar do reconhecimento da ONU, Anna Luisa indica não tido qualquer contato por parte de Brasília. “Eu nem esperava, porque nunca tive apoio do governo”, lamenta a jovem, que chegou a tentar uma aproximação com o governo estadual da Bahia.

O sistema de potabilização Aqualuz, entretanto, poderia beneficiar milhares de pessoas que sofrem com a falta do recurso, não só no Brasil. “Na ONU, teremos a oportunidade de conhecer pessoas da África, da Ásia e de outros países da América Latina. Será uma ocasião-chave para expandirmos”, espera a baiana, que vai palestrar em um evento paralelo à cúpula, no Fórum da Juventude.

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