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Gilmar Mendes/Janot

“Um potencial fascínora na Procuradoria-Geral da República”: Gilmar Mendes reage a Janot

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Em coletiva de imprensa desta sexta-feira (27) em Brasília, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, falou sobre a declaração de Rodrigo Janot à imprensa brasileira, na qual assume o planejamento do assassinato de Mendes em 2017. “Não imaginávamos que tivéssemos um potencial fascínora à frente da Procuradoria-Geral da República (PGR)”, disse o ministro aos jornalistas presentes no II Encontro dos GMFs, no Tribunal Superior Eleitoral.

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“Os senhores sabem que sempre fui, no STF, um crítico dos métodos do [Rodrigo] Janot. Era divergência intelectual, mas não imaginávamos que tivéssemos um facínora na PGR. Imagino que todos responsáveis por sua indicação devem pensar na alta responsabilidade de indicar alguém tão desprovido de condições para as funções envolvidas”, disse Mendes aos jornalistas presentes.

Mendes afirmou, no entanto, não cogitar acionar a Justiça contra Janot. “Não cogito, trata-se de um problema grave de caráter psiquiátrico. Mas isso não atinge apenas a mim, atinge todas as medidas que foram deferidas no STF. Isso tem que ser analisado pelo país”, disse. Sobre se o episódio terá incidência sobre as denúncias feitas pela Lava Jato, o ministro disse entender que foram feitas por “um tipo de pessoa com essa qualidade psicológica” e que precisam ser “analisadas nesse sentido”.

"Passaram a escolher pessoas que não tinham qualificação jurídica, moral e psicológica para exercer a função [na PGR]. O sistema político vai ter que definir, talvez abrir para uma nomeação entre os juristas do Brasil", disse Mendes.

Perguntado sobre qual seria a motivação de Janot para fazer essa revelação nesse momento, Mendes disse não dispor de elementos para avaliar. “Me parece que ele viveu um momento de apogeu e agora está vivendo um momento de crise de abstinência. Um problema psicológico muito sério e certamente isso explica esses desatinos”, afirmou. “Espero que procure ajude psiquiátrica”, disse ainda o ministro Gilmar Mendes, em nota divulgada hoje à imprensa brasileira.  

Livro de Memórias

A revelação de Janot dá destaque a um episódio presente em seu livro de memórias, que será lançado ainda este mês no Brasil, conforme revelado na entrevista do ex-procurador ao jornal Folha de S. Paulo desta quinta-feira (26). "Num dos momentos de dor aguda, de ira cega, botei uma pistola carregada na cintura e por muito pouco não descarreguei na cabeça de uma autoridade de língua ferina que, em meio àquela algaravia orquestrada pelos investigados, resolvera fazer graça com minha filha", diz Janot no livro "Nada Menos que Tudo" (Planeta).

Em entrevistas à revista Veja e ao jornal O Estado de São Paulo, Janot acrescentou que pretendia se suicidar depois de matar Gilmar Mendes.

Reação na Câmara

O líder do Cidadania na Câmara, deputado Daniel Coelho (PE), afirmou nesta sexta-feira (27) que o conteúdo da entrevista concedida pelo ex-procurador Geral da República é estarrecedor e revela que Rodrigo Janot "prevaricou no exercício da função". 

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